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Homens americanos jovens ficam de fora do mercado de trabalho

Jeanna Smialek

05/11/2018 13h09

(Bloomberg) -- Nathan Butcher tem 25 anos e, como muitos homens de sua idade, não está trabalhando.

Cansado do longo período em que recebia salário mínimo, ele deixou o emprego em uma pizzaria em junho. Ele quer um novo emprego, mas não para fazer algo que deteste. Por isso, por enquanto, o nativo de Pittsburgh, pai de crianças pequenas, está morando com a mãe e estudando para se tornar técnico de emergência médica com a esperança de melhorar de vida.

Dez anos após a Grande Recessão, os homens de 25 a 34 anos estão mais ausentes do mercado de trabalho do que qualquer outro grupo etário e gênero. Haveria cerca de 500.000 mais deles batendo ponto hoje se o índice de emprego retornasse aos níveis anteriores à crise. Muitos, como Butcher, dizem que estão estudando. Outros relatam falta de capacitação. Todos estão fora de um mercado de trabalho aquecido e de anos cruciais de trabalho, aqueles que normalmente são cheios de promoções e aumentos e que constroem a base para uma carreira.

"De certa forma, pode haver uma espécie de efeito geração perdida", disse David Dorn, economista da Universidade de Zurique. "Para os que chegam aos 30 anos sem nunca ter tido um trabalho de verdade e sem formação universitária, fica muito difícil se recuperar."

Os homens -- gênero que desfruta há muito tempo de privilégios econômicos nos EUA -- têm sido perseguidos nas últimas décadas pelas altas taxas de encarceramento e de deficiência física. Eles foram perdendo os empregos de altos salários depois que a tecnologia e a globalização chegaram à manufatura e à mineração.

Os jovens têm se saído particularmente mal. Muitos foram do Ensino Médio para um mundo com escassez de oportunidades de trabalho de qualificação média e foram atingidos pela pior recessão desde a Grande Depressão. O emprego despencou em diversos setores durante a recessão de 2007 a 2009 e os homens de 25 a 34 anos acabaram deixados para trás por seus pares um pouco mais velhos.

A ausência deles no mercado de trabalho gera consequências econômicas maiores. É uma perda de talento humano que afeta o crescimento potencial. Os jovens com uma entrada difícil no mercado de trabalho enfrentam uma penalização salarial duradoura. E os economistas atribuem parte da culpa pelo recente recuo no número de casamentos e pelo aumento dos nascimentos fora do casamento ao declínio dos homens empregados e aptos a casar. Essas tendências promovem insegurança econômica entre as famílias, o que pode piorar os resultados na próxima geração.

É difícil determinar se o grupo demográfico deseja permanecer à margem ou se é mantido nessa posição pela escassez de alternativas atraentes. Eles podem estar optando por ficar em casa ou se matricular em cursos porque é mais difícil encontrar empregos bem remunerados que não exigem diploma em setores como o de manufatura. Mas não está claro por que a perda de oportunidades afeta mais os homens.

Butcher, por exemplo, espera que o curso de técnico em emergência médica na Community College do condado de Allegheny seja o primeiro passo para uma carreira na área de saúde. Ele quer ganhar o suficiente para garantir segurança para o filho e a filha, que moram com a mãe deles.

"É um bom começo para uma carreira", disse.

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