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Idosos ficam com emprego de adolescentes em lanchonetes nos EUA

Leslie Patton

05/11/2018 15h55

(Bloomberg) -- O adolescente mal-humorado que trabalhava um turno em uma lanchonete depois da escola era um clichê da cultura pop, um retrato típico dos EUA.

Hoje em dia, Brad Hamilton, o adolescente interpretado por Judge Reinhold no filme "Picardias Estudantis", provavelmente seria jovem demais para trabalhar na lanchonete fictícia Captain Hook Fish and Chips. É que os idosos estão ocupando o lugar dele - vestindo o uniforme de poliéster, preparando hambúrgueres e anotando os pedidos.

As redes de fast-food estão recrutando em centros para idosos e igrejas. Estão colocando anúncios no site da AARP, um grupo de defesa de americanos com mais de 50 anos. Recrutadores afirmam que os trabalhadores mais velhos têm competências subjetivas - um comportamento amigável, pontualidade - que muitos jovens não têm.

Duas tendências poderosas estão em ação: a escassez de mão de obra em meio ao mercado de trabalho mais apertado em quase cinco décadas e a propensão dos americanos que estão vivendo mais tempo a continuar trabalhando - mesmo que meio período - para suplementar as escassas economias para a aposentadoria. Entre 2014 e 2024, projeta-se que o número de americanos trabalhando com idades entre 65 e 74 anos crescerá 4,5 por cento, enquanto o número na faixa de 16 a 24 anos deverá encolher 1,4 por cento, de acordo com o Instituto de Estatísticas de Trabalho dos EUA (BLS, na sigla em inglês).

Stevenson Williams, de 63 anos, administra um Church's Chicken em North Charleston, na Carolina do Sul. Depois de começar trabalhando na limpeza e lavando louça, há cerca de quatro anos, ele agora é responsável por 13 funcionários e às vezes trabalha até 70 horas por semana. Williams se aposentou como operário da construção civil e nunca tinha trabalhado em um restaurante antes, mas estava entediado de ficar em casa.

"É divertido por um tempo não se levantar, não ter que bater ponto, não precisar sair da cama para trabalhar todo dia", diz ele. "Mas, depois de trabalhar a vida toda, não fazer nada cansa. Ir ao Walmart não preenche o tempo. Eu simplesmente gosto do Church's Chicken. Gosto do ambiente, gosto das pessoas."

Contratar idosos é um bom negócio para as redes de fast-food. Elas ganham anos de experiência pelo mesmo salário - uma média de US$ 9,81 por hora no ano passado, de acordo com o BLS - que pagariam para alguém décadas mais jovem. Este é um benefício considerável em um setor pressionado pelo aumento dos custos de transporte e de matérias-primas.

A AARP se tornou um verdadeiro centro de recrutamento para este setor. Em junho, a American Blue Ribbon Holdings, proprietária de várias redes de restaurantes informais, pagou US$ 3.500 para oferecer empregos por hora e de gerência no site da organização sem fins lucrativos e contratou cinco pessoas para suas marcas Bakers Square e Village Inn. Bob Evans, uma rede com mais de 500 restaurantes que servem carne assada, biscoitos e outros produtos caseiros, também anunciou recentemente na AARP. Os mais velhos normalmente são contratados como recepcionistas que acomodam os clientes e "combinam bem com nossa marca", diz John Carothers, vice-presidente sênior de recursos humanos.

A Honey Baked Ham está recrutando em igrejas e casas de idosos para tentar preencher suas 12.000 vagas de empregos temporários para o Dia de Ação de Graças e para o Natal deste ano. A companhia, que vende tênder e tem mais de 400 pontos de venda nos EUA, afirma que os americanos mais velhos são uma parte fundamental de sua equipe, especialmente devido à escassez de trabalhadores.

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