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Sauditas irritados com Washington Post pedem boicote da Amazon

Vivian Nereim

05/11/2018 12h05

(Bloomberg) -- Sauditas irritados com a cobertura do jornal The Washington Post sobre o reino após o assassinato de Jamal Khashoggi estão pedindo boicote da Amazon pelo fato de ambas as empresas serem de propriedade do bilionário americano Jeff Bezos.

A hashtag "Boycott Amazon" foi a principal tendência do Twitter na Arábia Saudita por várias horas no domingo enquanto os usuários compartilhavam imagens mostrando a exclusão do aplicativo de smartphone da Amazon. Além disso, eles pediram boicote da subsidiária regional Souq.com, adquirida pela Amazon no ano passado. A Amazon e o The Washington Post não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

Muitos cidadãos sentiram que o país está sob ataque desde que agentes sauditas mataram Khashoggi, colunista do Post e também um informante que se transformou em crítico, no consulado do reino em Istambul. Eles ficaram particularmente irritados com um artigo de opinião do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, publicado recentemente no Post, e com a cobertura do jornal -- juntamente com a de outros veículos internacionais -- sobre as informações macabras a respeito do assassinato obtidas de autoridades turcas anônimas.

'Guerra da mídia'

"Ficou claro para os nossos olhos que esta é uma guerra organizada pela mídia", disse Bandar Otyf, um jornalista saudita com mais de 100.000 seguidores no Twitter, que está entre os que pediram o boicote: "Como usuários do Twitter, ativistas e cidadãos, não temos poder no exterior, mas podemos fazer coisas simples, como boicotar."

Muitos sauditas estão descobrindo agora que Bezos, fundador e presidente do conselho da Amazon, também é dono do Washington Post, disse Otyf, acrescentando que "mesmo se afetarmos apenas uma parcela dos negócios dele, estaremos satisfeitos".

Embora pouca gente na Arábia Saudita use a Amazon diretamente, o Souq.com é popular. No ano passado, o fundo soberano da Arábia Saudita investiu em uma empresa de comércio eletrônico concorrente chamada Noon, que foi fundada pelo presidente do conselho da Emaar Properties.

Alguns tuítes sobre o boicote pareceram ser automáticos ou copiados e colados.

"Eu estava tão animado para a Black Friday! Mas infelizmente, já que o #Washingtonpost adota dois pesos e duas medidas para o meu país #saudiArabia e apoia a propaganda de Erdogan, decido interromper os planos de comprar qualquer coisa na @amazon", diz um desses tuítes. A mensagem foi repetida oito vezes por diferentes contas com os mesmos erros de ortografia. As tentativas de entrar em contato com os usuários responsáveis por essas contas foram malsucedidas.

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