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Governo alemão quer que Bayer retire Roundup do mercado

Naomi Kresge e Patrick Donahue

06/11/2018 15h29

(Bloomberg) -- O Ministério do Meio Ambiente da Alemanha apresentou na terça-feira um plano com o passo a passo para retirada do glifosato, o herbicida que tem sido uma pedra no sapato da Bayer desde a aquisição da Monsanto por US$ 63 bilhões.

O plano prevê a proibição do composto químico, que é o ingrediente ativo do herbicida Roundup, da Bayer, em áreas ambientalmente sensíveis ou importantes para os lençóis freáticos. As novas regras também dificultariam o uso por agricultores de substâncias químicas semelhantes que matam um amplo leque de plantas e insetos, exigindo que reservem áreas também para plantio sem pesticidas.

"O meio ambiente não ganha nada se, em vez de glifosato, forem usados outros pesticidas ainda mais prejudiciais", disse a ministra do Meio Ambiente, Svenja Schulze, em comunicado. Ela defendeu o uso de "todo tipo de influência legal" em prol do abandono do glifosato.

A tentativa de Schulze de liderar uma retirada de longo prazo do Roundup ocorre após uma disputa no governo de coalizão da chanceler Angela Merkel em relação ao produto químico, no ano passado. Desafiando objeções do Partido Social-Democrata, de centro-esquerda, a ministra da Agricultura de Merkel votou unilateralmente pela manutenção do herbicida no mercado na União Europeia até 2022. Isso dificulta a proibição imediata do produto químico no país.

Dúvida sobre câncer

Mas se Schulze ganhar o apoio de outros integrantes do gabinete, é possível que haja uma retirada lenta. A medida representaria um novo revés para a Bayer, que tem tido dificuldades para defender o Roundup desde que herdou o herbicida mais usado no mundo com a aquisição da Monsanto. Um juiz da Califórnia confirmou no mês passado o veredicto de um júri de que o Roundup provocou câncer no zelador de uma escola. A Bayer precisará pagar US$ 78,6 milhões no processo -- e enfrenta ações judiciais de cerca de 8.700 queixosos.

"Infelizmente, o debate a respeito do glifosato na Alemanha é determinado por interesses políticos, e não por evidências científicas", disse Helmut Schramm, chefe da divisão agrícola da Bayer na Alemanha, em comunicado. Se não usarem o produto químico, os agricultores alemães ficarão em desvantagem, segundo Schramm.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, braço da Organização Mundial da Saúde, classificou o glifosato como provável carcinógeno em 2015, alegação rejeitada pela Bayer. A empresa afirma que outros estudos e órgãos reguladores mostraram que o produto químico é seguro.

--Com a colaboração de Tim Loh e Lydia Mulvany.

Repórteres da matéria original: Naomi Kresge em Berlin, nkresge@bloomberg.net;Patrick Donahue em Berlin, pdonahue1@bloomberg.net

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