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O que acordo do Brexit pode ou não oferecer à economia britânica

David Goodman

06/11/2018 15h35

(Bloomberg) -- O "dividendo do acordo" prometido ao Reino Unido pelo chanceler do Tesouro, Philip Hammond, parece mais distante do que o esperado após o magro progresso do gabinete britânico nesta terça-feira.

Hammond disse na semana passada que um acordo para o Brexit lhe permitiria acabar com a austeridade. O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, disse que a economia finalmente veria um caminho através do nevoeiro após mais de dois anos de incertezas.

O tempo está acabando, mas se finalmente for fechado algum acordo -- um que seja aceito pelos parlamentares da UE e do Reino Unido --, estas são as áreas com mais chances de conseguir benefícios.

Investimento corporativo

O Banco da Inglaterra reduziu sua previsão de investimento corporativo na atualização das projeções econômicas, na semana passada. Pesquisas com gerentes de compras pioraram o panorama, e empresas de todos os setores afirmam que o Brexit está afetando suas perspectivas.

Carney disse que as empresas estavam "compreensivelmente" adiando investimentos, mas que a eliminação do risco de divórcio sem acordo pode ajudar a liberar a onda de investimentos reprimidos citada por Hammond em seu discurso sobre o orçamento.

Inflação

Um dos impactos mais imediatos provavelmente viria dos mercados cambiais, que se mostraram sensíveis aos altos e baixos das negociações. Assim como a queda da libra esterlina pós-referendo alimentou a inflação, uma alta poderia suavizar o crescimento dos preços.

Analistas consultados pela Bloomberg no mês passado projetaram que a libra poderia subir cerca de 6 por cento se o Reino Unido fechar algum acordo. A Bloomberg Economics calcula que isso reduziria a previsão de inflação do Banco da Inglaterra em cerca de 0,4 ponto percentual por ano.

Confiança do consumidor

Uma queda do índice de inflação aliviaria a pressão sobre os consumidores britânicos após um período contínuo em que os salários não acompanharam os avanços dos preços. Isso poderia estimular o consumo.

Preços de residências

O relatório de setembro da Royal Institution of Chartered Surveyors mostrou queda nos preços em Londres e um quinto mês consecutivo de estagnação no Reino Unido como um todo, e o divórcio é a maior preocupação dos agentes imobiliários na capital. Allan Fuller, da Allan Fuller Estate Agents, disse que "o futuro do mercado depende quase inteiramente das negociações do Brexit".

Sem panaceia

Nenhum acordo de divórcio será capaz de resolver todos os desafios do Reino Unido.

O mal-estar da produtividade do país persistirá, e a perspectiva global está piorando porque as tensões comerciais, as turbulências nos mercados emergentes e a política monetária mais rígida estão pesando sobre a expansão. O crescimento global melhor do que o esperado ajudou a impulsionar o Reino Unido no ano passado, mas o contrário poderia ocorrer nos próximos anos.

Robert Chote, presidente do Escritório de Responsabilidade Orçamentária do Reino Unido, disse ao Comitê do Tesouro do Parlamento na semana passada que não seria plausível que a remoção da possibilidade de um "resultado realmente desagradável" para o Brexit proporcionasse uma "grande vantagem fiscal".

Além disso, o acordo não dissiparia completamente o nevoeiro. Simplesmente estabeleceria as condições da saída, não o relacionamento comercial depois do Brexit. Este é o próximo passo nas negociações, o que deixa espaço para muitas outras incertezas.

--Com a colaboração de Lucy Meakin.

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