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Opep agora estuda reduzir produção de petróleo em 2019

Grant Smith e Javier Blas

07/11/2018 14h41

(Bloomberg) -- O vento virou novamente no tempestuoso mercado de petróleo. A Opep sinalizou que estudará novos cortes de produção no ano que vem e poderia mudar radicalmente de rumo pela segunda vez neste ano em relação à produção.

Em meio a um terceiro trimestre de aumento dos preços e pressão política sem precedentes do presidente dos EUA, Donald Trump, a Arábia Saudita, a Rússia e outros países produtores intensificaram a produção. Agora, com o fim das eleições legislativas dos EUA e a perda de vigor dos futuros do petróleo em razão de outra expansão histórica do xisto, o cartel discutirá uma mudança de rumo nesse fim de semana.

"A mensagem da Opep parece ser: apertem os cintos", disse Bob McNally, presidente da Rapidan Energy Advisors, uma consultoria de Washington. O cartel parece estar prestes a "pisar fundo no acelerador para aumentar a produção, e depois imediatamente frear com força e debater a redução da oferta".

Ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e de seus aliados se reunirão em Abu Dhabi, no domingo, para discutir hipóteses como a possibilidade de reduzir a produção novamente no ano que vem, segundo representantes. Alguns membros estão preocupados com o aumento dos estoques, disseram, pedindo para não serem identificados porque as discussões são confidenciais.

Se o grupo liderado pela Arábia Saudita de fato decidir que é necessário reduzir novamente a produção, há uma série de obstáculos. Será preciso garantir mais uma vez o apoio da Rússia, antiga rival que se tornou aliada e que depende menos de preços elevados para o petróleo. Existe também o risco de contrariar Trump, que acusou o grupo diversas vezes pelo Twitter de inflacionar os preços.

A nova reviravolta contrasta com o mantra habitual da Opep de preservar a estabilidade e conduzir cuidadosamente o mercado. No entanto, reflete o nível de incerteza de um mercado que passa por grandes mudanças em termos de oferta e demanda.

No início do terceiro trimestre, os preços começaram a subir quando o risco de déficit de produção gerado por sanções ao Irã e o colapso econômico da Venezuela abalaram o mercado. As perdas desses dois integrantes da Opep ameaçaram gerar a maior interrupção da oferta desde o início da década e o petróleo Brent acabou atingindo um pico acima de US$ 86 por barril no mês passado.

Desde então, houve grandes acontecimentos do outro lado da equação da oferta. A Opep tem estado no "modo produza o máximo que puder" para tranquilizar os consumidores, segundo o ministro de Energia saudita, Khalid Al-Falih. O reino elevou a produção para perto de níveis recorde, e a Líbia está extraindo a maior quantidade em cinco anos. As inesperadas isenções aos consumidores do petróleo iraniano diminuíram o impacto das sanções impostas pelos EUA.

Os preços do petróleo já refletem uma perspectiva muito mais fraca para 2019. O Brent para entrega em janeiro recuou cerca de 15 por cento em relação ao patamar mais alto em quatro anos, alcançado no início de outubro. Os preços subiam 1,3 por cento, para US$ 73,02, às 13h38 desta quarta-feira em Londres.

--Com a colaboração de Elena Mazneva.

Repórteres da matéria original: Grant Smith em London, gsmith52@bloomberg.net;Javier Blas em Londres, jblas3@bloomberg.net

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