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Aposentados gregos mudam para Bulgária para dinheiro render mais

Antonis Galanopoulos e Marcus Bensasson

08/11/2018 15h39

(Bloomberg) -- Os aposentados gregos viram tantos cortes em seus pagamentos que alguns deles estão se mudando para um dos países mais pobres da Europa.

George, 75, é um exemplo. Após a morte da esposa, há cinco anos, ele alugou o apartamento em Thessaloniki, a segunda maior cidade da Grécia, fez as malas e se mudou para Sofia, a capital da Bulgária, onde, segundo ele, "vive-se como rei" com a pensão mensal de 800 euros (US$ 905).

"É claro que há dificuldades para se adaptar e fazer amigos", disse George, que preferiu não informar o sobrenome por medo de ser perseguido pelas autoridades fiscais gregas. "Mas com o dinheiro que eu tenho, posso voltar à Grécia com frequência e ainda tenho a oportunidade de viajar."

A Grécia, destino de aposentados de outros países europeus, está vendo seus cidadãos -- como George -- escolherem passar a velhice no país vizinho e mais barato do norte da União Europeia depois de sofrerem pelo menos 20 cortes nos pagamentos durante a longa crise da dívida do país.

É possível que eles agradeçam a mudança, já que os aposentados estão novamente na mira de um possível confronto da Grécia com credores, o primeiro desde que o país deixou o resgate, em agosto. O primeiro-ministro Alexis Tsipras pode criar uma impressão de recuo das reformas ao tentar evitar a implementação de cortes nas aposentadorias, que deverão entrar em vigor no ano que vem.

O orçamento da Grécia, submetido à Comissão Europeia em 15 de outubro, inclui um cenário sem cortes de aposentadorias, acordado e pré-legislado em 2017 após meses de idas e vindas nas negociações. O governo acredita que o país é capaz de cumprir a meta de superávit do orçamento antes do serviço da dívida de 3,5 por cento do produto interno bruto sem esses cortes. Uma decisão a respeito do assunto será tomada até o fim de novembro, segundo uma autoridade europeia.

Atratividade búlgara

Enquanto isso, os aposentados gregos estão fazendo a escolha racional de mudar para a Bulgária. Em 2017, segundo dados do Eurostat, o órgão de estatísticas da União Europeia, o custo de vida da Grécia representava quase o dobro do da Bulgária -- que era o mais baixo da UE.

Embora haja poucos dados para demonstrar a migração de aposentados gregos para o norte, algumas evidências sugerem que o fenômeno pode estar ganhando força. O litro da gasolina custa 1,15 euro em Sofia, contra 1,60 euro em Atenas; um café expresso caseiro custa 2,30 euros, enquanto a mesma marca na Grécia sai por 4,70 euros; um bilhete de metrô custa 80 centavos de euro, contra 1,40 euro. A fatura do telefone celular custa a metade da grega.

"Em geral, a vida é 30 por cento mais barata do que na Grécia e isso se você escolher morar em Sofia, Burgas ou Plovdiv", disse George. "Em cidades ou vilas menores, a vida é ainda mais barata."

Repórteres da matéria original: Antonis Galanopoulos em Athens, agalanopoulo@bloomberg.net;Marcus Bensasson em Atenas, mbensasson@bloomberg.net

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