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BMW pode levar produção dos EUA para China por guerra comercial

Gabrielle Coppola

08/11/2018 15h03

(Bloomberg) -- O declínio dos lucros da BMW está obrigando a fabricante de veículos a estudar a transferência de parte da produção dos EUA para a China como forma de driblar a guerra comercial travada entre os dois países.

A segunda maior fabricante de automóveis de luxo do mundo decidirá nas próximas semanas se produzirá mais SUVs na China, o que poderia custar sua gigantesca fábrica na Carolina do Sul, nos EUA. As tarifas aplicadas aos veículos que vão de um lado ao outro reduzirão os lucros em 300 milhões de euros (US$ 343 milhões) em 2018, afirmou o diretor financeiro da empresa, Nicolas Peter, em entrevista à Reuters, na quarta-feira.

"Durante muitos anos a BMW considerou os EUA sua segunda casa", escreveu Kenn Sparks, porta-voz da empresa, por e-mail. "Se as tarifas minarem a competitividade da produção e das vendas da BMW nos EUA, o resultado poderá ser uma forte redução dos volumes de exportação com efeitos negativos sobre os investimentos e os empregos nos EUA."

Fabricantes de veículos internacionais como a BMW e a Tesla estão adotando medidas para minimizar o impacto das tarifas retaliatórias da guerra comercial entre os EUA e a China e para manter o ritmo de vendas no maior mercado automotivo do mundo. Qualquer transferência de produção se somaria às iniciativas anteriores da BMW, como assumir o controle do empreendimento com a Brilliance China Automotive Holdings, que produz modelos como os SUVs X1 e X3, e estabelecer parceria com a Great Wall Motor para fabricar carros elétricos.

A receita da BMW com as vendas da fabricação de veículos caiu quase pela metade no terceiro trimestre, impactado pelas tensões comerciais e pela pressão sobre os preços. Peter adotou um tom sombrio em uma conferência sobre resultados com analistas, alertando que era cedo demais para prever uma melhora em 2019, já que a empresa se prepara para guerras comerciais, para os custos do Brexit e para obstáculos regulatórios.

A fábrica de SUVs em Spartanburg, na Carolina do Sul, é a maior da BMW no mundo e emprega quase 10.000 pessoas. A unidade tem servido de escudo para a fabricante alemã contra os ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, voltados às empresas automotivas estrangeiras, que são criticadas por ele por importarem veículos ao país.

A fábrica exportou quase 70 por cento da produção em 2017. Produz os SUVs X3, X4, X5 e X6 e deverá iniciar a produção do modelo X7 em dezembro.

A BMW começou a fabricar o X3 na China e na África do Sul neste verão (Hemisfério Norte). A produção do modelo na fábrica de Spartanburg aumentou 14 por cento neste ano.

--Com a colaboração de Oliver Sachgau.

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