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China recorre à Rússia para substituir a soja dos EUA

Anatoly Medetsky e Megan Durisin

08/11/2018 15h12

(Bloomberg) -- Na busca por substituir a soja dos EUA, a China está recorrendo à Rússia.

A Rússia planeja ampliar a produção de soja no Extremo Oriente do país para atender a China, disse o primeiro-ministro Dmitri Medvedev a jornalistas, em Pequim. Os dois países também planejam trabalhar mais de perto em relação a outros produtos agrícolas, como arroz, carne de porco, frango e peixe, e desenvolver a logística.

Apesar de a Rússia ser uma minúscula fornecedora de soja, a medida mostra que um dos efeitos da guerra comercial com os EUA é o estreitamento dos laços entre chineses e russos. A China também vem procurando diversificar suas fontes de alimentos como parte da iniciativa mais ampla Um Cinturão, Uma Rota, respaldada por centenas de bilhões de dólares em projetos de infraestrutura.

"Podemos esperar um aumento nas exportações da Rússia para a China, mas não uma disparada", disse Laurent Crastre, analista de oleaginosas da consultoria agrícola francesa Stratégie Grains. "Será mais uma opção que eles terão para comprar soja."

"Há muita demanda por soja na China", disse Medvedev a jornalistas, em Pequim, segundo uma transcrição publicada no website do gabinete.

Em meio à guerra comercial entre os EUA e a China "certa parte do mercado de soja ficou disponível. Fechamos acordo com parceiros chineses para manter uma presença mais ativa neste segmento, em particular", disse.

A produção de soja da Rússia vem se expandindo na última década. Os produtores deverão colher um recorde de 3,9 milhões de toneladas na safra 2018-2019, com exportação de 700.000 toneladas, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos EUA. Ainda assim, a quantidade é minúscula na comparação com as remessas dos maiores exportadores do mundo. O Brasil deverá vender 75 milhões de toneladas no exterior nesta temporada.

Por causa da guerra comercial, a China reduziu a importação de soja dos EUA em mais de 80 por cento em setembro em relação ao ano anterior. O país é o maior importador de soja do mundo e vem preenchendo a lacuna ampliando as compras do Brasil.

Em separado, a Ucrânia, uma grande exportadora de trigo e milho, também planeja expandir os embarques para a China. A estatal State Grain and Food fechou acordo com a China National Complete Engineering Corporation, conhecida como ?C??, para ampliar a oferta, durante uma exposição em Xangai, na terça-feira.

Repórteres da matéria original: Anatoly Medetsky em Moscou, amedetsky@bloomberg.net;Megan Durisin em Chicago, mdurisin1@bloomberg.net

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