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Famílias americanas bilionárias buscam lucrar com caos do Brexit

Sophie Alexander

08/11/2018 15h37

(Bloomberg) -- O Quay House, em Canary Wharf, Londres, é uma caixa de vidro de dois andares situada entre alguns dos edifícios mais altos da Europa. Seus últimos proprietários têm grandes planos, entre eles transformá-la em um hotel com altura mais parecida à dos vizinhos de 180 metros.

A propriedade é a primeira aquisição da FirethornTrust, uma empresa apoiada por duas famílias americanas bilionárias: os Van Tuyl, que fizeram fortuna com lojas de carros, e o clã Stephens, que está por trás do banco de investimentos homônimo.

Elas estão desafiando as projeções de que a decisão de 2016 do Reino Unido de sair da União Europeia destruirá a indústria financeira do país e enfraquecerá a economia. Apesar de a libra ter caído 11 por cento desde a véspera do referendo, a desaceleração não foi tão drástica quanto o tumulto inicial após o referendo.

Mas os sinais ameaçadores são muitos. Os investidores de um fundo da Schroders que é dono de alguns dos escritórios mais caros de Londres buscam retirar quase um quinto do montante de US$ 1,09 bilhão, segundo pessoas a par do assunto. A Standard & Poor's alertou no mês passado que as chances de um Brexit sem acordo aumentaram, o que pode gerar recessão.

O nervosismo agrada a FirethornTrust.

"O Brexit em seu estado atual gera incerteza", disse Peter Mather, um dos sócios-fundadores da firma. "Incerteza gera volatilidade e volatilidade gera oportunidade."

Os Stephens e os Van Tuyl investiram 200 milhões de libras (US$ 263 milhões) na criação do trust com sede em Londres, em setembro.

Os americanos não são os únicos que planejam aproveitar as oportunidades imobiliárias criadas pelo Brexit.

No início do ano, a empresa israelense Alony Hetz Properties & Investments fechou acordo para investir até 340 milhões de libras na criação da Brockton Everlast, que buscará comprar e incorporar escritórios no Reino Unido.

O Brexit pode nos dar uma janela de oportunidade para entrar "onde outras pessoas estão com muito medo e querem ir embora", disse Moti Barzilay, vice-presidente-executivo da Alony Hetz, controlada pelo CEO Nathan Hetz e por David Wertheim, que também é dono da franquia israelense da Coca-Cola com a irmã, Drorit.

Os investidores estrangeiros estão abocanhando mais imóveis de escritórios em Londres e respondiam por 74 por cento do mercado em 28 de agosto, contra 67 por cento no fim de 2016, segundo a Green Street Advisors. Os investidores americanos responderam por 15 por cento do total de transações até esta altura do ano, contra 10 por cento em 2017 e 25 por cento em 2016.

Metade de todos os investimentos veio da Ásia em 2018 após uma onda em 2017 na qual alguns dos edifícios mais emblemáticos de Londres mudaram de mãos. Em março do ano passado, a C C Land Holdings, de Cheung Chung-kiu, pagou 1,15 bilhão de libras por uma das maiores torres de Londres, a Leadenhall Building, mais conhecida como Cheesegrater. Quatro meses depois, o braço imobiliário da fabricante de molho de ostra Lee Kum Kee comprou o edifício Walkie Talkie por 1,3 bilhão de libras.

--Com a colaboração de Jack Sidders e John Ainger.

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