ipca
0,45 Out.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Fed enfrenta dilema de US$ 4 tri que pressiona sistema bancário

Liz Capo McCormick, Vivien Lou Chen e Alexandra Harris

08/11/2018 12h22

(Bloomberg) -- O mercado de renda fixa alerta sobre a possibilidade de o banco central dos EUA cometer um erro grave. E não se trata apenas das taxas de juros.

Um tema mais urgente envolve investimentos feitos pelo Federal Reserve na época da crise. Desde outubro do ano passado, a instituição vem reduzindo sua carteira de títulos do Tesouro e papéis garantidos por financiamentos imobiliários. Essa diminuição de posições ficou mais rápida e trouxe consequências inesperadas para os mercados overnight, onde a demanda por crédito de curto prazo está em alta.

Representantes do Fed, que estão reunidos em Washington para discutir política monetária, rejeitaram a ideia de que são culpados pelo que está acontecendo e citaram diversos fatores técnicos. Muita gente em Wall Street discorda. Críticos alertam que, se o Fed não desacelerar ou suspender a diminuição das posições, é possível que saia dinheiro demais do sistema bancário, aumentando a volatilidade e prejudicando o controle da política de definição das taxas de juros.

"O Fed não quer enxergar a realidade", disse Priya Misra, estrategista-chefe global de juros da TD Securities. "Se o Fed continuar permitindo a redução do balanço patrimonial, vai começar a faltar reserva."

O Fed não detalhou quando vai parar de reduzir o balanço patrimonial. Misra calcula que será em dezembro de 2019, mas disse que não ficaria surpresa se terminar antes. Se o Fed mantiver o ritmo atual até o fim do ano que vem, seus ativos recuariam de US$ 4,1 trilhões atualmente para aproximadamente US$ 3,7 trilhões (o auge foi US$ 4,5 trilhões). Antes da crise, o Fed tinha US$ 900 bilhões.

Sendo assim, é curioso que, com o nível atual do balanço patrimonial, o sistema bancário americano possa enfrentar falta de dinheiro. O mecanismo que Misra e outros críticos descrevem é complicado.

Mas simplificadamente, a compra de títulos pelo Fed (o chamado afrouxamento quantitativo ou QE) injetou trilhões de dólares no sistema bancário para sustentar a economia após a crise financeira. O Fed comprava títulos dos bancos e pagava na forma de crédito em suas reservas. Agora, com a economia sólida novamente e o Fed revertendo essa medida, o dinheiro está sendo sugado. Atualmente, o Fed reduz a carteira de títulos em, no máximo, US$ 50 bilhões por mês.

O problema é que regulamentos adotados após a crise para limitar riscos, como a Lei Dodd-Frank e Basileia III, obrigaram os bancos a usar bem menos das reservas - algo como US$ 2 trilhões - para cumprir exigências mais rigorosas. Isso cria escassez de reservas, forçando bancos - principalmente os de menor porte, no estágio atual - a buscar financiamento de curto prazo. Desde que o Fed começou a reduzir seus ativos, as reservas diminuíram em mais de meio trilhão de dólares, de acordo com o Barclays.

"O pano de fundo atual é dominado pelo quadro regulatório", disse Jonathan Cohn, estrategista-chefe de negociação de juros do Credit Suisse. Pelos cálculos dele, o excedente de ativos líquidos de alta qualidade (o que inclui reservas) nos oito bancos americanos com importância sistêmica global encolheu mais de 15 por cento desde que o Fed iniciou o processo. "Os bancos estão em posição decente agora, mas com o tempo, isso começará a pesar."

Repórteres da matéria original: Liz Capo McCormick em N York, emccormick7@bloomberg.net;Vivien Lou Chen em São Francisco, vchen1@bloomberg.net;Alexandra Harris em N York, aharris48@bloomberg.net

Mais Economia