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Líder do conselho da Tesla gera dúvidas sobre controle a Musk

Odd Andersen/AFP Photo
O CEO da Tesla, Elon Musk Imagem: Odd Andersen/AFP Photo

Dana Hull

08/11/2018 15h42

(Bloomberg) -- A Tesla nomeou uma diretora que compõe há anos o conselho da empresa para substituir Elon Musk na presidência, gerando suspeitas quanto à possibilidade de controlar o imprevisível CEO da fabricante de veículos após a disputa onerosa com um órgão regulador de valores mobiliários.

Robyn Denholm, 55, assume imediatamente a presidência do conselho. Diretora desde 2014, ela deixará os cargos de diretora financeira e chefe de estratégia da empresa de telecomunicações australiana Telstra após seis meses de aviso prévio.

A nomeação representa o fim de uma era para Musk, 47, que assumiu a presidência do conselho ao liderar um investimento inicial de US$ 7,5 milhões na Tesla em abril de 2004.

Seus problemáticos tuítes de agosto sobre a possibilidade de fechar o capital da empresa provocaram meses de caos e culminaram em um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês). O órgão pediu melhor governança a um conselho há tempos criticado por estar excessivamente alinhado a seu líder bilionário.

"Embora tecnicamente ela seja uma integrante independente do conselho, Denholm faz parte da equipe de Musk há algum tempo, o que sugere que ela não estará à altura da tarefa de controlar os piores instintos de Musk", disse Stephen Diamond, professor de direito da Universidade de Santa Clara e especialista em governança corporativa. "E, claro, esse foi o principal ponto do acordo com a SEC."

Tuítes problemáticos

A Tesla subia 2,7%, para US$ 357,58, às 10h05 em Nova York, impulsionada pela especulação de que a fabricante de veículos poderia se qualificar para entrar no S&P Index no próximo ano. As ações acumulam alta de 12% no ano até o fechamento de quarta-feira (7).

A cessão do cargo de presidente do conselho era uma condição do acordo que Musk fechou com a SEC em setembro para encerrar as acusações de fraude relacionadas a seus tuítes sobre a possibilidade de fechar o capital da empresa.

Além de concordarem com o afastamento de Musk do cargo por três anos, ele e a Tesla aceitaram que a empresa tenha que adicionar mais dois conselheiros independentes ao conselho até o fim de dezembro. O conselho da Tesla continua a busca para preencher essas vagas.

Denholm, que ocupa o cargo de diretora financeira da Telstra há pouco mais de um mês, disse que planeja se dedicar em tempo integral à Tesla quando suas obrigações com a empresa de telecomunicações com sede em Melbourne terminarem. Ela não aceitará outro emprego.

"Acredito nesta empresa, acredito em sua missão e estou ansiosa para ajudar Elon e a equipe da Tesla a alcançar uma rentabilidade sustentável e a ampliar o valor de longo prazo para os acionistas", disse Denholm, em comunicado.

Toyota e Sun Micro

A nomeação de Denholm surpreendeu porque ela havia descartado a possibilidade, há apenas um mês, em declarações à imprensa australiana. Não se sabe o que a convenceu a deixar o cargo de diretora financeira em uma das empresas mais relevantes do país para cumprir a destacada tarefa de presidir o conselho da Tesla.

Denholm trabalhou anteriormente na Toyota Motor, na Sun Microsystems e na Juniper Networks, onde foi diretora de finanças e de operações.

(Com a colaboração de Elisabeth Behrmann)