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Mulher deve pedir mais dinheiro para startup, recomenda fundo

Paula Sambo

08/11/2018 15h06

(Bloomberg) -- Michelle Scarborough comanda um dos maiores fundos de venture capital do mundo com foco em startups lideradas por mulheres. Ela percebe em sua rotina uma grande diferença entre os sexos: os homens demandam mais dinheiro.

Uma das tarefas dela é ensinar suas pupilas a fazerem propostas mais contundentes. Scarborough, 49 anos, é diretora-gerente de um fundo de 200 milhões de dólares canadenses (US$ 152 milhões) do Business Development Bank of Canada.

Segundo ela, um homem tende a explicar como vai atingir a meta de vendas e pede 5 milhões para fazer isso, enquanto a mulher apresenta seu plano e pede ajuda - não necessariamente dinheiro.

"A linguagem é muito diferente, o pedido é muito diferente", disse Scarborough em entrevista realizada no escritório da Bloomberg em Toronto. "Muitas mulheres pedem bem menos ou aceitam muito menos."

Após mais de 20 anos de carreira como empreendedora e investidora, inclusive na firma de private equity Kensington Capital Partners, Scarborough acredita que pedir o que é necessário é muito importante. Ela própria pediu à entidade estatal para a qual trabalha que elevasse o tamanho do fundo (originalmente de 70 milhões de dólares canadenses) para ajudar a mudar a dinâmica dos gêneros no setor de tecnologia do país.

O Women in Technology Venture Fund investe diretamente em companhias que têm fundadoras, cofundadoras ou executivas de nível sênior, e também na criação de um ecossistema de apoio a mulheres. O projeto foi montado em Toronto em 2016 e o plano é dobrar a equipe e chegar a cerca de 15 pessoas.

Segundo Scarborough, não faltam empresas merecedoras de recursos. Ela alocou 10 milhões de dólares canadenses em aproximadamente 20 companhias desde que assumiu o cargo, no ano passado, e está prestes a apostar em duas novas oportunidades. O objetivo é gerar retorno duas vezes maior do que o investimento original.

Uma das firmas apoiadas foi vendida e deu retorno 1,9 vez maior ? uma "taxa de retorno decente, considerando que o fundo teve esse investimento por menos de dois anos", ela contou, sem revelar o nome da companhia. Entre suas apostas estão a Lufa Farms, que entrega diretamente a consumidores vegetais produzidos localmente ou em hortas localizadas em topos de prédios, e a Mimosa Diagnostics, que desenvolve um aparelho portátil para diagnóstico de complicações por diabetes nos pés de pacientes.

O terreno para venture capital está fértil no país, onde foram aplicados 3,2 bilhões de dólares canadenses em 393 operações entre janeiro e setembro, a maior quantia desde 2001, segundo a Associação Canadense de Venture Capital e Private Equity.

A entidade não discriminou quanto foi para empresas fundadas por mulheres, mas dados levantados no país vizinho sugerem que não foi muito. Em 2017, US$ 68,2 bilhões foram destinados a empresas dos EUA fundadas por homens e US$ 1,9 bilhões para startups com fundadoras mulheres apenas, de acordo com dados compilados pela PitchBook Data.

Apenas 5 por cento das empresas de tecnologia canadenses foram fundadas somente por uma mulher e 13 por cento tiveram cofundadoras, segundo estudo do grupo #movethedial, que se dedica a aumentar a presença feminina no setor de tecnologia.

"Cheguei a me surpreender com tantas mulheres que me contaram que apresentaram suas propostas e foram ignoradas", lembra Scarborough. "Ou mulheres que ouviram que eram muito bonitas e deveriam trazer um homem grisalho para ajudar porque seria melhor para elas e que assim poderiam chegar mais longe.'"

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