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Pioneiro do bitcoin não se arrepende de doar mais de US$ 100 mi

Olga Kharif

09/11/2018 14h29

(Bloomberg) -- Jeff Garzik começou a escrever código de software para o bitcoin após ler uma publicação de blog sobre a moeda digital em julho de 2010. Naquela época, ele estava trabalhando à distância para a Red Hat, a potência do código aberto, de um trailer estacionado em um terreno vazio em Raleigh, na Carolina do Norte.

Pouco depois, ele se tornou o terceiro maior colaborador para o código do bitcoin, depois do criador anônimo da criptomoeda, Satoshi Nakamoto, e do desenvolvedor Gavin Andresen, e manteve essa posição até 2014. Dez anos após sua criação, Garzik diz estar orgulhoso, apesar de o bitcoin não ser o que ele imaginava.

"Como pai, gosto de ver meus filhos crescerem, embora eles cometam erros ou cresçam de formas inesperadas para mim", disse Garzik, que doou mais de US$ 100 milhões em bitcoins com base nos preços atuais.

Durante o período inicial, Garzik, 44, trabalhava diretamente com Nakamoto, quando trocavam e-mails particulares e se comunicavam pelo fórum Bitcointalk, até a abrupta desaparição do criador do token em 2011. Desde então, ex-colaboradores e jornalistas tentam adivinhar quem era ele, ela ou eles - uma questão importante, considerando que Nakamoto controla cerca de 1 milhão de bitcoins e poderia afetar o preço de mercado da criptomoeda.

"Minha teoria pessoal é que ele era Dave Kleiman, da Flórida", disse Garzik em entrevista por telefone. "O estilo de codificação coincide com o dele, esse cavalheiro era autodidata. E o codificador do bitcoin era alguém muito, muito inteligente, mas não era um engenheiro de software com formação clássica."

Kleiman, um ex-oficial de delegacia da Flórida que acabou se tornando especialista em computação forense, morreu em 2013. Seu patrimônio entrou com ação judicial contra o australiano Craig Wright, que afirma ser Nakamoto, e o acusou de confiscar bilhões de dólares em bitcoins e propriedade intelectual de Kleiman. Wright nega a acusação.

A visão de Nakamoto do bitcoin como dinheiro privado não se concretizou. Aliás, o uso da criptomoeda no comércio está diminuindo, de acordo com uma análise recente da empresa de pesquisa Chainalysis. Em vez disso, especuladores e investidores a tratam como um ativo semelhante ao ouro. Garzik, que mora em Atlanta, não vê problema nisso.

"É um organismo, é algo que evolui", disse Garzik, que trabalhou para a BitPay, uma processadora de pagamentos com criptomoedas, e ainda integra seu conselho, além dos conselhos da empresa de tecnologia de blockchain BitFury e da Linux Foundation. "O bitcoin não evoluiu na direção dos pagamentos de grande volume, algo que imaginávamos nos primórdios: conseguir que os comerciantes aceitassem bitcoins. Mas no uso como depósito de valor, é um sucesso inquestionável."

Garzik preferiu não revelar suas posses atuais, mas disse que doou 15.678 bitcoins há cerca de sete anos em recompensas para desenvolvedores a fim de estimular o trabalho no software. Esses bitcoins valeriam mais de US$ 100 milhões com os preços atuais. Ele não se arrepende do presente e disse que o importante é que o bitcoin continue existindo.

"A questão era se isso conseguiria sobreviver", disse Garzik. "E hoje não há dúvida disso."

--Com a colaboração de Edvard Pettersson e Peter Blumberg.

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