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Uma das maiores devedoras da China tem plano assustador

Carrie Hong e Ina Zhou

21/11/2018 13h09

(Bloomberg) -- A decisão de uma das maiores devedoras corporativas inadimplentes da China de incluir títulos vendidos por uma subsidiária mais saudável em uma proposta de reorganização gerou preocupações a respeito dos direitos dos credores em um mercado que ainda está se acostumando ao conceito de calote.

Na metade do ano, a produtora de carvão Wintime Energy concluiu que não conseguiria honrar suas dívidas, que quadruplicaram em menos de cinco anos. Agora, a empresa propõe a inclusão de uma nota de US$ 500 milhões vendida pela Huachen Energy em um pacote de reestruturação global de 70 bilhões de yuans (US$ 10 bilhões). A Huachen não deixou de pagar essas notas offshore e a combinação delas com as obrigações da empresa controladora, que passa por mais dificuldades, pode ser atraente para os credores da Wintime.

A jogada é menos atrativa para os investidores que consideravam as subsidiárias emissoras independentes -- com balanços próprios -- no que diz respeito à solvência. Se o plano avançar, pode ser necessário um grau maior de due diligence em um momento em que as gestoras de fundos enfrentam as implicações de uma sequência recorde de calotes no terceiro maior mercado de títulos do mundo.

"Se fosse aplicada uma consolidação substancial na China no caso da Wintime, sem o consentimento dos detentores de títulos offshore, certamente seria muito surpreendente", disse Kingsley Ong, sócio da Eversheds Sutherland em Hong Kong. "Qualquer tentativa de aplicar o conceito jogando contra os interesses dos detentores de títulos offshore quase certamente afetará a confiança dos investidores estrangeiros em relação à dívida emitida por entidades chinesas."

O funcionário responsável pela divulgação de informações da Wintime não estava disponível para comentar o assunto e os telefonemas ao subchefe do departamento de gestão financeira da Huachen Energy não foram atendidos. Embora a própria Huachen tenha enfrentado desafios -- como o não pagamento de um cupom para seus títulos de 2020 em dólares nos últimos dias --, a empresa informou em comunicado, na terça-feira, que efetuará o pagamento até 18 de dezembro, dentro do período de carência.

Em um mercado desenvolvido como o dos EUA há menos foco em qualquer empresa controladora ao considerar o perfil de crédito de um emissor de títulos, e qualquer medida da empresa controladora que afete sua unidade pode acabar na Justiça, disseram participantes do mercado. Como afeta títulos em dólares, o caso da Wintime também levanta dúvidas em relação aos direitos dos credores no mercado de notas corporativas offshore chinesas, de US$ 804 bilhões.

"O caso ressalta que, embora os títulos em dólar sejam emitidos diretamente pela Huachen, na qualidade de subsidiária da Wintime a empresa ainda pode ser afetada pelo que deu errado na empresa controladora", disse Gary Zhou, diretor de renda fixa da China Securities International. Ele calcula que os investidores deveriam ser mais cautelosos em relação a essas questões e repensar a forma de encarar certos créditos chineses.

Segundo dados compilados pela Bloomberg, a Wintime não honrou 15 bilhões de yuans de títulos locais, tornando-se a segunda maior empresa inadimplente da China neste ano, atrás da trader de petróleo CFEC Shanghai International Group.

--Com a colaboração de Allen Yan, Molly Dai, Yuling Yang e Tongjian Dong.

Repórteres da matéria original: Carrie Hong em Hong Kong, chong61@bloomberg.net;Ina Zhou em Hong Kong, hzhou179@bloomberg.net