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Boom do xisto pode criar excesso de terminais na Costa do Golfo

Catherine Ngai

26/11/2018 15h33

(Bloomberg) -- A corrida para exportar o petróleo de xisto dos EUA está prestes a ficar acirrada, já que pelo menos nove terminais propostos disputam um pedaço de um bolo bastante limitado.

Nos próximos 18 meses, os novos dutos que se abrirão na bacia de xisto mais prolífica do país prometem transportar um adicional de 2 milhões de barris de petróleo por dia para a Costa do Golfo. Mas o petróleo extra chegará em um momento em que os terminais existentes na região de Corpus Christi podem oferecer apenas cerca de 300.000 barris por dia de capacidade não utilizada.

Enquanto isso, alguns dos terminais propostos estão sendo projetados para carregar um superpetroleiro a cada dois dias, cada um com capacidade para transportar 2 milhões de barris. O resultado disso é que provavelmente serão necessários apenas um ou dois novos terminais, e a vantagem iria para empresas como a Enbridge, cuja iniciativa em Freeport, no Texas, pode ser saciada por dois oleodutos nos quais a empresa já tem participação.

"Qualquer um pode construir um terminal", disse James Teague, CEO da Enterprise Products Partners, uma das primeiras empresas a exportar petróleo dos EUA, em teleconferência, no mês passado. "Mas é o que está por trás desse terminal que determina seu sucesso."

Em outras palavras, o sucesso no negócio de terminais depende tanto de garantir os barris quanto de exportá-los.

As exportações de petróleo dos EUA subiram para quase 2 milhões de barris por dia desde que a proibição de quase quatro décadas foi cancelada, no fim de 2015, justamente quando a produção de xisto acelerou. A Trafigura Group e outras tradings aproveitaram a oportunidade para enviar essa oferta para Europa e Ásia.

Mas tem havido um problema: a falta de oleodutos, em particular na prolífica Bacia do Permiano, tem limitado a quantidade de petróleo que chega à costa. Agora, antecipando o fim desses problemas com três grandes novos oleodutos, que deverão ser inaugurados em 2019, várias empresas -- incluindo a Trafigura -- traçam planos para oferecer terminais que possam tirar proveito dessa mudança.

Analistas do setor projetaram que as exportações vão dobrar até 2020 devido ao aumento da capacidade de exportação e da crescente produção de xisto.

Até o momento, a Trafigura, com sede em Cingapura, é a única empresa que sabidamente apresentou pedido formal de permissão para construir um terminal de águas profundas na área de Corpus Christi. O projeto Texas Gulf Terminals, pertencente à empresa, transportaria petróleo bruto a um sistema de atracação de um único ponto, a alguns quilômetros da costa, onde planeja carregar um superpetroleiro a cada dois dias.

Cinco propostas

A proposta da Trafigura é uma das cinco para a área de Corpus Christi que dependeria dos três novos oleodutos que entrarão em operação em 2019. Eles compreendem o canal Cactus II, da Plains All-American Pipeline, com capacidade de 585.000 barris por dia; a linha EPIC, da Epic Midstream, com 600.000 barris por dia; e a linha Grey Oak, de propriedade conjunta da Enbridge, da Andeavor e da Phillips 66, com cerca de 900.000 barris.

Além da Trafigura, a Magellan Midstream Partners, a Carlyle Group, a Buckeye Partners e a Flint Hills Resources estão entre as empresas que propõem terminais para a região.

--Com a colaboração de Sheela Tobben, Rachel Adams-Heard e Dave Merrill.