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Conferência reúne bilionários, blockchain e arte em Miami Beach

Katya Kazakina

29/11/2018 16h01

(Bloomberg) -- Adam Lindemann costuma ter bom timing.

Ele vendeu um grupo de estações de rádio por cerca de US$ 200 milhões pouco antes da crise financeira de 2008, mais do que triplicando seu investimento. Um quadro de Jean-Michel Basquiat, que ele comprou por US$ 4,5 milhões em 2004, foi vendido por US$ 57,3 milhões há dois anos.

Agora, o filho do bilionário George Lindemann, que fez fortuna com TV a cabo e gasodutos, será o anfitrião de uma conferência na Art Basel Miami Beach, na semana que vem, para explorar como o blockchain, a sua mais recente obsessão, pode transformar o mundo da arte.

"Todo mundo está falando sobre blockchain, mas ninguém o entende realmente", disse Lindemann, 57, em referência à tecnologia que suporta o bitcoin e outras criptomoedas. "Este é o momento certo para pensar em arte e em tecnologia."

Seu evento "The Art of Blockchains", de meio dia de duração, está marcado para 4 de dezembro, quando as principais galerias e colecionadores do mundo se reunirão na maior feira de arte contemporânea dos EUA, com mais de US$ 3 bilhões em obras à venda.

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A tecnologia do blockchain é um assunto candente no mercado de arte devido ao seu potencial para revolucionar um comércio pouco transparente e dar confiança a colecionadores que receiam comprar produtos falsificados. Startups como a Verisart já usam blockchain para registrar obras e rastrear sua origem, verificando a autenticidade e a propriedade. Outra empresa, a Codex, está trabalhando em um aplicativo que permitirá que os licitantes de leilão paguem com criptomoedas. Outras oferecem a propriedade fracionada de obras de arte por meio de ações tokenizadas que minimizam os custos ao prescindir dos intermediários tradicionais.

A conferência de Lindemann -- um dos cerca de meia dezena de eventos relacionados ao blockchain que acontecerão na Art Basel -- reunirá pessoas de arte e de tecnologia em sua órbita, entre elas o gerente de hedge funds Dan Loeb e o filantropo Nicholas Berggruen. O debate principal contará com Lindemann e Jim McKelvey, que ajudou a fundar a empresa de pagamentos Square com Jack Dorsey.

Mundo novo

Lindemann, dono da galeria de arte Venus Over Manhattan, em Nova York, disse que investiu em várias startups de blockchain, entre elas a Artblx, que prevê que a tecnologia vai derrubar o mundo da arte e criar um novo.

"O blockchain vai mudar completamente o mercado", disse Lindemann. "Se funcionar, podemos prever mais milhões de participantes."

Mesmo assim, ainda há muitos obstáculos.

Um blockchain só é confiável se os dados que o compõem também forem, disse o palestrante Nanne Dekking, fundador e CEO da Artory. "Ele não melhora a informação e só deve ser usado em um registro público por parceiros confiáveis."

A conferência abordará a maneira em que a tecnologia do blockchain pode influenciar o processo de criação de obras. Kenny Scharf, que ganhou destaque como artista de rua na década de 1980 junto com Basquiat e Keith Haring, estará presente criando uma obra original composta de mais de 100 partes.

"Cada participante receberá uma peça", disse Lindemann. "A obra é uma metáfora do blockchain: está destinada a ser compartilhada."