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Largue os estudos para chamar a atenção deste bilionário francês

Angelina Rascouet e Marie Mawad

30/11/2018 11h54

(Bloomberg) -- Tally Fofana, que antigamente era um ladrão de carros prolífico e chegou a passar um tempo na prisão, agora conta com o apoio de um bilionário em sua tentativa de transformar o conhecimento adquirido de seu passado criminoso em um dispositivo antirroubo de veículos.

Fofana, de 39 anos, é apenas um dos empreendedores novatos e não-convencionais que Xavier Niel, fundador da empresa de telefonia Iliad, tem o costume de financiar. Pessoas que, na verdade, são muito parecidas com o próprio Niel quando ele começou.

"Acreditamos em pessoas que não foram formatadas", disse Niel em uma entrevista ao redor de uma mesa de mármore na sede da Iliad, em Paris. "As pessoas que não passaram a vida inteira na mesma empresa podem ter uma visão inovadora sobre um setor e, talvez, isso lhes permita revolucionar esse setor."

São pessoas desse tipo que precisam fazer sucesso para que o presidente da França, Emmanuel Macron, consiga convencer os eleitores de que seu plano para um "país de startups" mais dinâmico está funcionando e, assim, reverter sua queda nos índices de popularidade. A política e os negócios franceses continuam sendo dominados por uma pequena elite que se formou em algumas seletas universidades de prestígio.

Niel, hoje com 51 anos, quando adolescente era um gênio da programação e estabeleceu salas de bate-papo eletrônico de sexo no serviço francês Minitel, que é considerado um precursor da internet. Mais tarde, ele investiu em sex shops e teve um desentendimento com a lei. Ele começou a ganhar dinheiro de verdade quando lançou um conversor para internet doméstica, TV e ligações telefônicas que abalou as empresas de telecomunicações estabelecidas na França.

Hoje ele é sócio da executiva de artigos de luxo Delphine Arnault (filha do homem mais rico da França, Bernard Arnault), é um dos proprietários do jornal Le Monde e apoiou a candidatura presidencial de Macron.

Embora agora ele corte o cabelo um pouco mais curto e tenha começado a usar ternos nos roadshows com investidores, ele continua se considerando um defensor do não-conformismo.

Niel criou escolas gratuitas de codificação em Paris e no Vale do Silício e injetou 250 milhões de euros (US$ 285 milhões) em um campus de startups - Station F - que foi inaugurado no ano passado em um antigo depósito ferroviário na capital francesa. Os conhecimentos de Fofana sobre a segurança de automóveis lhe rendeu um lugar no programa Founders da Station F para empreendedores iniciantes e agora ele está conversando sobre angariação de recursos com potenciais investidores.

Niel diz que a França vai gerar 10 empresas com valor acima de US$ 1 bilhão nos próximos três anos.

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