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A tão esperada volatilidade piora imagem dos fundos de hedge

Saijel Kishan e Nishant Kumar

03/12/2018 13h58

(Bloomberg) -- Era para Deepak Gulati brilhar neste momento. O gestor de fundos de hedge vinha esperando a volta da volatilidade para recuperar perdas, depois que anos de calmaria prejudicaram a firma dele, que administra US$ 955 milhões. Mas mesmo com a recente montanha-russa nas bolsas, Gulati não ganhou dinheiro nos primeiros 10 meses do ano.

Grandes oscilações nos preços dos ativos, o esmorecimento de um longo período de ganhos no mercado e a alta dos juros eram a fórmula que os fundos de hedge acreditavam que curaria anos de desempenho decepcionante. No entanto, os fundos de hedge ? que movimentam US$ 3,2 trilhões ? foram novamente arrastados para baixo com o tombo do mercado no mês passado e devem amargar o pior ano desde 2011.

"Eles deveriam ter ganhado dinheiro", reclama Arvin Soh, gestor de carteiras da GAM Holding, sediada em Zurique, que investe em fundos de hedge. "De um ponto de vista amplo, os fundos de hedge são estratégias que visam entregar durante períodos de incerteza e lucrar a partir de deslocamentos, o que foi muito frequente neste ano."

Soh trabalha em Nova York e investe capital de clientes em fundos de hedge há 15 anos. Ele acha que o fraco desempenho do segmento em 2018 aumentará a pressão para os fundos fecharem ou diminuírem as taxas cobradas.

E essas gestoras de fundos agora enfrentam outro desafio: as oscilações de preços ficaram mais intensas nas ações para as quais os fundos de hedge preveem valorização. A volatilidade nas 50 ações favoritas dos fundos está no maior nível desde 2010 em relação à oscilação do S&P 500, de acordo com relatório divulgado pelo Morgan Stanley em 20 de novembro.

Não é a primeira vez que a volatilidade dá uma rasteira no segmento. Em 2011, enquanto a crise das dívidas soberanas na Europa abalava os mercados globais, os fundos perderam, na média, 2,1 por cento, segundo dados compilados pela Hedge Fund Research. Muitas gestoras fecharam as portas.

Gulati, que comanda a Argentiere Capital em Zug, na Suíça, foca em oscilações de preços em diferentes mercados e ganhou apenas 1 por cento durante as fases de turbulência de fevereiro e outubro.

O profissional, que já foi responsável pela negociação de ações globais da carteira proprietária do JPMorgan Chase, admitiu a investidores que está difícil lucrar porque a volatilidade tem sido limitada às ações. Movimentos violentos serão necessários para que gestoras que trabalham com essa estratégia consigam mudar a situação.

"Não podemos esquecer que os mercados acionários acumulam alta neste ano", disse Gulati. "Não entramos em território pessimista ainda." Os prêmios de risco ? ou seja, a compensação adicional que investidores esperam dos ativos mais arriscados ? "não subiram nada", acrescentou ele.

Para Soh, as gestoras precisarão avaliar se conseguem navegar nesse ambiente. Quem quiser continuar, precisará se adaptar, especialmente porque os investidores podem deixar dinheiro aplicado em alternativas mais baratas, ressaltou ele.

Fundos de hedge têm sofrido com a ascensão da negociação por algoritmos e restrições implementadas após a crise financeira, que limitaram os riscos que podem assumir. A base de clientes também se ampliou nos últimos anos e os planos de previdência e outros grandes investidores têm maior aversão a risco do que indivíduos abastados.

--Com a colaboração de Joanna Ossinger.

Repórteres da matéria original: Saijel Kishan em N York, skishan@bloomberg.net;Nishant Kumar em Londres, nkumar173@bloomberg.net

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