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Algoritmo da DeepMind vence concurso de enovelamento de proteína

Jeremy Kahn

03/12/2018 12h22

(Bloomberg) -- A DeepMind, empresa de inteligência artificial pertencente à companhia controladora do Google, a Alphabet, criou um algoritmo que venceu uma competição para prever formas complexas e tridimensionais em que as proteínas podem ser dobradas.

O formato das proteínas é importante para compreender muitos processos biológicos e é um passo fundamental para encontrar moléculas que possam ser úteis na criação de novos medicamentos.

Esta foi a primeira vez que a DeepMind, que é mais conhecida por derrotar os melhores jogadores profissionais do mundo no jogo de estratégia Go, inscreveu um software na competição de enovelamento de proteínas, administrada pelo Centro de Previsão da Estrutura de Proteínas, órgão patrocinado pelo Instituto Nacional de Ciências Médicas Gerais dos EUA.

O software da DeepMind, chamado AlphaFold, derrotou um grupo especialmente forte de outros programas, de acordo com os organizadores do concurso. A competição "deste ano observou um progresso sem precedentes na capacidade de métodos computacionais para prever estruturas tridimensionais de proteínas", disseram em um site sobre a reunião científica.

Embora as técnicas usadas para treinar o algoritmo a prever os formatos das proteínas não tenham sido idênticas às que a DeepMind usou para dominar o Go, houve algumas semelhanças subjacentes. A DeepMind passou dois anos desenvolvendo o AlphaFold. O nome é uma homenagem ao AlphaGo, seu software original campeão de Go.

"Os modelos tridimensionais de proteínas que o AlphaFold gera são muito mais precisos do que qualquer um dos que vieram antes, um progresso significativo em um dos principais desafios da biologia", afirmou a empresa em uma publicação em blog no domingo.

A companhia informou que o software de enovelamento foi treinado para gerar formas de proteína a partir do zero, sem ter acesso a exemplos de formatos de proteína conhecidos para usar como modelo. A empresa utilizou duas redes neurais profundas diferentes - um tipo de técnica de aprendizagem de máquina levemente baseada na maneira como o cérebro humano funciona - para chegar às previsões do formato da proteína.

A DeepMind sempre afirmou que pretende aplicar suas técnicas de inteligência artificial a problemas fundamentais da ciência. Demis Hassabis, um dos fundadores e CEO da companhia, havia mencionado especificamente o enovelamento de proteínas e a descoberta de novos alvos potenciais para o desenvolvimento de medicamentos como áreas exploradas pela empresa.

O algoritmo da DeepMind ficou em primeiro lugar entre um total de 98 programas de software, segundo The Guardian. Em uma parte do concurso, seu software previu com precisão a estrutura de 25 das 43 proteínas, enquanto o algoritmo que ficou em segundo lugar só obteve três das 43, informou o jornal.

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