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Barclays define padrão com preparativos para Brexit, dizem fontes

Nicholas Comfort, Steven Arons e Stefania Spezzati

03/12/2018 14h59

(Bloomberg) -- O plano do Barclays para transferir rapidamente os negócios europeus para Dublin em preparação para o Brexit é um dos mais ambiciosos e vem ganhando aplausos dos órgãos reguladores, segundo pessoas familiarizadas com as negociações.

O banco britânico planeja ter registrado quase metade do risco de trading relacionado à UE dentro do bloco quando o Reino Unido se retirar, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Este é o nível que os órgãos reguladores da UE consideram que outros bancos internacionais deveriam aspirar, embora não tenham definido metas específicas, disseram duas das pessoas, que pediram para não ser identificadas porque o plano é privado.

Faltando apenas quatro meses para o Brexit, os bancos internacionais que comandam boa parte de seus negócios europeus de Londres se preparam para a possibilidade de que não haja nenhuma fase de transição, nem outras condições para amenizar o impacto sobre os serviços financeiros. Apesar de muitos bancos terem solicitado ao Banco Central Europeu licenças novas ou expandidas para manter o acesso aos clientes da UE, o órgão supervisor não reagiu tão rapidamente quanto o esperado, disseram pessoas informadas sobre o assunto.

As expectativas do BCE para a transferência de risco seguem os princípios regulatórios da UE e levarão em conta a "materialidade e a complexidade" das divisões de mercados de capitais de bancos individuais, segundo uma porta-voz do órgão supervisor, que preferiu não fazer comentários sobre bancos específicos. O Barclays preferiu não comentar.

Bancos como Goldman Sachs e JPMorgan Chase ainda negociam com o BCE as exatas condições que precisam cumprir para ampliar as operações na UE. O principal ponto de discórdia é o volume e a velocidade com que os bancos precisam transferir ativos e funcionários relacionados à UE para o bloco. Várias empresas esperavam obter as autorizações necessárias em meados de 2018 e agora se mostram cada vez mais frustradas, disseram as pessoas informadas sobre o assunto.

O Barclays não está nessa posição. O banco escolheu Dublin para instalar sua unidade na UE, e o CEO Jes Staley disse em outubro que o Banco Central da Irlanda havia aprovado a expansão da instituição no país. A aprovação inclui um plano para registrar no país 45 por cento dos ativos do banco, ponderados por risco de mercado relacionado à UE, até o Brexit, disseram as pessoas informadas sobre o assunto.

Daniele Nouy, que lidera o braço de supervisão bancária do BCE, disse que as capacidades de trading e gestão de risco dos bancos precisam ser "proporcionais" ao tamanho e ao risco das operações que desejam realocar. "Eles devem se transferir em dois ou três anos no máximo, e terão que começar com recursos proporcionais ao risco que estão repassando", disse, em setembro.

Ainda assim, a maioria dos grandes bancos planeja concluir a transferência em apenas 12 meses para conseguir aprovação do BCE, apesar de o cronograma ter surpreendido muitos bancos e até alguns órgãos reguladores nacionais, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto.

Repórteres da matéria original: Nicholas Comfort em Frankfurt, ncomfort1@bloomberg.net;Steven Arons em Frankfurt, sarons@bloomberg.net;Stefania Spezzati em Londres, sspezzati@bloomberg.net

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