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Consolidação de mineradores de bitcoin eleva risco de desordem

Olga Kharif

03/12/2018 14h32

(Bloomberg) -- Uma das consequências da queda recente do bitcoin está se desenrolando. E é provável que gere efeitos profundos na maior das criptomoedas.

Está em andamento uma consolidação dos chamados mineradores, que realizam cálculos complexos para gerar a moeda digital, depois que a queda tornou muitos deles deficitários. Pelo menos 100.000 mineradores individuais deixaram de operar, segundo a Autonomous Research. A Fundstrat Global Advisors estima que cerca de 1,4 milhão de servidores foram desconectados desde o início de setembro.

"Estamos entrando em uma fase de esvaziamento do mercado", disse Malachi Salcido, chefe da Salcido Enterprises, com sede em Wenatchee, Washington, que afirma ser uma das maiores mineradoras da América do Norte, com 22 megawatts de energia empregada e mais 20 megawatts em construção. "Haverá relativamente poucas operações capazes de seguir em frente."

A maioria dos mineradores só é rentável quando o bitcoin é negociado acima de US$ 4.500. A moeda não fecha acima deste nível desde 19 de novembro. No ano passado, o bitcoin chegou a ser negociado a quase US$ 20.000.

São poucos os que conseguem continuar no jogo: mineradores com escala, modelos de negócios muito específicos e custos de eletricidade extremamente baixos, como os praticados no condado de Douglas, em Washington, que abriga a maior parte das operações da Salcido. As margens antes de custos como depreciação e impostos passaram de cerca de 40 por cento para 20 por cento durante o declínio, disse Salcido. Eles voltaram a subir na empresa, para cerca de 40 por cento, quando rivais menores deixaram de operar, disse.

Com a chamada hash rate -- o poder de mineração na rede do bitcoin -- 36 por cento abaixo do pico histórico em agosto, a dificuldade de resolução dos problemas caiu cerca de 10 por cento, tornando mais fácil para as plataformas de mineração restantes ganhar bitcoins, segundo Lex Sokolin, diretor global de estratégia de fintechs da Autonomous em Londres.

Embora seja boa para os grandes mineradores, a consolidação aumenta os riscos para os investidores e outros elementos interessados no sucesso da rede. Com menos empresas no controle da mineração, há uma chance maior de que várias delas se unam para executar o chamado ataque dos 51 por cento, segundo Ryan Selkis, cofundador da firma de pesquisa sobre criptomoedas Messari. Nesse tipo de manobra, mineradores controladores podem reverter transações e impedir confirmações de novas operações -- podendo assim faturar bilhões com o dinheiro de outras pessoas.

Os blockchains que respaldam moedas muito menores, como Bitcoin Gold e ZenCash, já sofreram ataques de 51 por cento, que custaram milhões de dólares aos investidores. A contração também pode reduzir a quantidade de investimento mesmo se os preços se recuperarem, afetando o uso e o crescimento da rede.

"Notamos que o preço do BTC precisaria voltar a acelerar significativamente para que a mineração volte a se autofinanciar, como foi durante a maior parte da história do bitcoin", afirma nota da Fundstrat publicada na semana passada.

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