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Regra de Wall Street para a era #MeToo: evite as mulheres

Gillian Tan e Katia Porzecanski

03/12/2018 12h26

(Bloomberg) -- Acabaram-se os jantares com as colegas. Não se sentem ao lado delas nos voos. Reservem quartos de hotel em andares diferentes. Evitem reuniões cara a cara.

Aliás, como disse um gestor de fortunas, o simples fato de contratar uma mulher hoje em dia é "um risco desconhecido". E se ela interpretar errado algo que ele disser?

Em Wall Street, os homens estão adotando estratégias controversas para a era #MeToo e, no processo, tornando a vida ainda mais difícil para as mulheres.

Chame isso de Efeito Pence, em relação ao vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que disse que evita jantar sozinho com qualquer mulher que não seja sua esposa. Em finanças, o impacto abrangente pode ser, em essência, a segregação de gênero.

Entrevistas com mais de 30 executivos seniores sugerem que muitos estão assustados com o #MeToo e com dificuldades para lidar com isso. "Está criando uma sensação de pisar em ovos", disse David Bahnsen, ex-diretor administrativo do Morgan Stanley, que agora é um consultor independente que administra mais de US$ 1,5 bilhão.

Este fenômeno não é exclusivo de um único setor, porque os homens de todo o país controlam o comportamento no trabalho para se protegerem do que consideram uma correção política irracional -- ou simplesmente fazer o correto. O impacto é forte em Wall Street, onde são poucas as mulheres nos escalões superiores. O setor também alimentou muito tempo uma cultura que mantém as queixas de assédio longe dos tribunais e da opinião pública, e até agora evitou um megaescândalo como o que envolveu Harvey Weinstein.

Medo

Agora, mais de um ano após o início do movimento #MeToo -- com suas devastadoras revelações de assédio e abuso em Hollywood, no Vale do Silício e em outros lugares -- Wall Street corre o risco de se tornar mais um Clube do Bolinha e não o contrário.

Embora os novos códigos pessoais para lidar com o #MeToo estejam começando a ser usados, a mudança já é palpável, de acordo com as pessoas entrevistadas, que preferiram não ser identificadas. Eles trabalham em hedge funds, escritórios de advocacia, bancos, empresas de private equity e empresas de gestão de investimentos.

Por razões óbvias, poucos vão falar abertamente sobre o assunto. No entanto, em particular, muitos dos homens entrevistados reconheceram que estão imitando Pence, dizendo que não é confortável ficar sozinhos com colegas do sexo feminino, particularmente jovens ou atraentes, por medo de boatos ou da, como disse um deles, responsabilidade potencial.

Mudanças sutis

As mudanças podem ser sutis, mas são insidiosas, como, por exemplo, excluir mulheres de um after-office ou ter o que deveria ser uma reunião privada com um chefe com a porta aberta.

Os homens estão procurando maneiras de reagir. Um consultor de investimentos que administra cerca de 100 funcionários, disse que reconsiderou brevemente a possibilidade de realizar reuniões individuais com as mulheres juniores. Pensou em deixar a porta do escritório aberta ou convidar uma terceira pessoa para participar.

Finalmente, ele encontrou a solução: "Apenas procure não ser um idiota".

Isso é praticamente tudo, disse Ron Biscardi, CEO da Context Capital Partners. "Não é tão difícil assim."

--Com a colaboração de Max Abelson e Sonali Basak.

Repórteres da matéria original: Gillian Tan em NY, gtan129@bloomberg.net;Katia Porzecanski em Davos, kporzecansk1@bloomberg.net

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