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Tempestades solares podem influenciar preços do gás natural

Brian K. Sullivan e Naureen S. Malik

03/12/2018 11h44

(Bloomberg) -- Se você quiser saber os preços futuros do gás natural, talvez seja hora de monitorar o Sol.

As tempestades magnéticas em sua superfície podem gerar áreas de aparência escura chamadas manchas solares, marcas que aumentam e diminuem em ciclos de cerca de 11 anos e que podem conter pistas para a previsão de padrões climáticos: quanto menos pontos, mais frio será o inverno em certas áreas do Hemisfério Norte.

Pelo menos essa é a teoria que está ganhando terreno entre os meteorologistas comerciais que buscam novas formas de atender seus clientes -- traders ansiosos para saber quanto frio fará para que possam medir a demanda por gás natural.

"Eu era realmente cético em relação ao impacto dos ciclos solares e das manchas solares", disse Todd Crawford, cientista meteorológico sênior da The Weather, pertencente à IBM. Mas depois de estudar os padrões dos invernos frios que vieram após o último ponto de baixa do ciclo, "subi a bordo".

Para entender o assunto, pense no campo magnético do Sol como uma espécie de guarda-chuva da Terra, disse Scott McIntosh, diretor do Observatório de Alta Altitude do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica, de Boulder, Colorado, nos EUA. O guarda-chuva pode impedir que parte dos raios cósmicos -- partículas carregadas de estrelas mortas há tempos -- bombardeiem a atmosfera.

Quando se formam menos manchas solares, o campo enfraquece e mais raios atravessam e atingem a Terra. E então, aumentam as chances de que o ar gelado que sai do Ártico, como normalmente ocorre durante o inverno, fique preso na parte leste da América do Norte ou na Europa e traga episódios de frio rigoroso, disse Matt Rogers, presidente da Commodity Weather Group.

Nem todos no mundo da meteorologia acreditam no poder preditivo das manchas solares no que diz respeito ao clima da Terra. Além disso, a questão gera polêmica porque reforça a teoria de alguns negacionistas das mudanças climáticas de que o aquecimento global não é uma ameaça; muito em breve, um ciclo de resfriamento gerado pelas manchas solares virá nos socorrer, defendem essas pessoas, refrescando a Terra.

O Sol atualmente está em um período livre de manchas, conhecido como mínimo solar. O último ocorreu por volta de 2009 -- quando raios cósmicos começaram a atingir a Terra nos níveis mais elevados observados em registros que remontam a 1964 na estação de raios cósmicos da Universidade de Oulu, no Observatório Geofísico de Sodankyla, na Finlândia.

O atual ponto baixo do ciclo "deve ser ainda mais calmo que o anterior", disse Rogers, da Commodity Weather Group. O iminente El Niño no Pacífico já sinaliza um inverno tempestuoso nos EUA, que pode ser ampliado pelo mínimo solar, disse Crawford, da IBM, o que pode significar "mais nevascas do que o normal em todas as grandes cidades do leste dos EUA, especialmente no fim do inverno".

O mercado parece estar suspeitando disso. Os futuros do gás natural subiram 41 por cento em novembro, maior ganho para o mês desde 2000. Os estoques de gás atingiram uma baixa sazonal de 16 anos com a chegada da temporada de uso para aquecimento.

Repórteres da matéria original: Brian K. Sullivan em Boston, bsullivan10@bloomberg.net;Naureen S. Malik em Nova York, nmalik28@bloomberg.net

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