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Aposta esportiva ganha novo sentido com investimento em atletas

Scott Soshnick

04/12/2018 15h49

(Bloomberg) -- A era do filme "O homem que mudou o jogo" revolucionou o esporte, permitindo que as equipes capitalizassem enormes quantidades de dados para ajustar seus elencos e ganhar campeonatos.

Agora, uma startup de investimentos quer levar a ideia um passo adiante. A Home Court Capital -- apoiada pelo filho de um vice-comissário da National Basketball Association (NBA) e por um ex-diretor de investimentos do maior banco de Israel -- analisará dados para avaliar atletas profissionais e depois apostar em seu potencial de ganhos.

A Home Court levantou US$ 150 milhões para destinar a atletas em início de carreira na NBA, na National Football League (NFL) e na Major League Baseball (MLB). A ideia é identificar os indivíduos após seus anos de estreia e oferecer milhões de dólares adiantados a eles em troca de uma fatia de seus futuros salários e de outras receitas, como, por exemplo, contratos de patrocínio.

A abordagem não é completamente nova: é comum entre jovens golfistas aceitar investimentos em troca de uma parte dos ganhos futuros e o modelo também foi testado em ligas menores de beisebol. Mas a iniciativa levaria a estratégia a atletas de ponta de esportes de alto nível, oferecendo a esses jogadores uma nova maneira de gerenciar suas finanças.

"Estamos totalmente focados em oferecer segurança financeira e flexibilidade aos nossos clientes", disse o presidente da Home Court Capital, Peter Gourdine, que cresceu em meio aos esportes profissionais. Seu falecido pai, Simon, se tornou o maior executivo negro dos esportes ao ser nomeado para o segundo principal cargo da NBA, em 1974, e posteriormente comandou o sindicato.

Encontrando joias

Funciona assim: respaldada por uma equipe de analistas quantitativos munidos de análises de big data e daquilo que a empresa chama de técnicas de aprendizado de máquina, a Home Court buscará identificar jogadores em seu segundo ano de NBA e NFL -- e membros de equipes das principais ligas em início de carreira -- que especulam que terão desempenhos melhores que os de seus colegas ao longo da carreira. Em outras palavras, aqueles jogadores que deverão conseguir os melhores contratos e patrocínios lucrativos.

A firma cita dois jogadores da NBA como exemplos: Steven Adams, do Oklahoma City, e Jrue Holiday, do New Orleans, cujas estatísticas de estreantes não sugeririam o estrelato. Ambos se destacaram -- e lucraram -- desde então. Adams assinou uma extensão de US$ 100 milhões em 2016 e Holiday está recebendo mais de US$ 25 milhões nesta temporada.

'Ingrediente secreto'

Obviamente ainda não existe uma maneira infalível de previsão esportiva. Até mesmo grandes atletas se machucam e perdem partidas. Outros ficam presos a equipes de baixo desempenho ou não conseguem contratos de patrocínio. Mas Gourdine e seu sócio, Guy Fischer, que trabalhou anteriormente como vice-diretor da divisão de mercados de capitais do Bank Leumi, põem fé no "ingrediente secreto" de sua modelagem preditiva. Além disso, eles pretendem mirar um leque amplo de atletas para proteger suas apostas.

"Isso nos permite criar um portfólio diversificado de investimentos abarcando três ligas, diversas posições de jogadores e outras variáveis importantes para mitigar o risco de concentração", disse Fischer, que supervisionou mais de US$ 23 bilhões em investimentos no Bank Leumi.

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