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Tratamento milagroso para alguns tipos de câncer não é infalível

Michelle Fay Cortez

04/12/2018 15h32

(Bloomberg) -- Shahzad Bhat, 53, estava trabalhando na MGM Mansion em Las Vegas quando seu médico lhe deu três meses de vida, em outubro de 2017. Não havia mais tratamentos disponíveis para a forma agressiva de linfoma que lhe acometia.

Como alguns dos apostadores de elite que ficavam no cassino, Bhat teve sorte. Um dia antes de sua consulta, um medicamento oncológico experimental da Gilead Sciences tinha sido aprovado nos EUA. Bhat foi um dos primeiros a receber o tratamento revolucionário, Yescarta, após a aprovação, e seu câncer entrou em remissão rapidamente.

"Foi um milagre", disse a esposa dele, Nicole Bhat. "Ele estava se sentindo ótimo. Passaram trinta dias e ganhamos uma nova vida."

Isso durou pouco. Cerca de seis meses depois, o câncer conhecido como linfoma difuso de grandes células B voltou. Médicos e pesquisadores científicos agora estão tentando descobrir como deveriam tratar pacientes como Bhat, que teve uma recaída após receber tratamentos promissores conhecidas como CAR-T. Um estudo apresentado no encontro da American Society of Hematology em San Diego, neste fim de semana, mostrou que 61 por cento dos pacientes que receberam o novo tratamento não estavam livres do câncer dois anos depois.

"Pode ser um santo remédio, mas apenas para 39 ou 40 por cento dos pacientes", disse Fred Locke, médico oncologista e líder da iniciativa terapêutica com células imunológicas do Moffitt Cancer Center em Tampa, Flórida. "É a melhor opção que temos no momento, mas não é infalível."

Esperança

Quando Kymriah, da Novartis, se tornou a primeira CAR-T aprovada, em agosto de 2017, essa nova classe de medicamentos foi anunciada como um avanço revolucionário que poderia curar de uma vez aqueles que tivessem reações drásticas. No entanto, muitos pacientes recaem depois da remissão inicial.

Os pesquisadores estão detectando o mesmo padrão com Kymriah, um tratamento para crianças com uma forma rara e difícil de tratar de leucemia que causa rapidamente a morte. Cerca de 83 por cento dos pacientes estavam em remissão após três meses. Dois anos depois, a taxa tinha caído para 62 por cento.

Yescarta e Kymriah estão tirando pacientes que ficaram sem opções da beira da morte. Esses tratamentos, até hoje as únicas duas CAR-T aprovadas pelos órgãos reguladores, extraem do sangue do paciente células do sistema imunológico que combatem infeções e, com uma alteração genética, as reprogramam em um laboratório para destruir as células que nutrem o câncer. Os resultados drásticos - e a perspectiva de eliminar o câncer com uma única dose - vieram com preços estratosféricos: Yescarta custa US$ 373.000, e Kymriah, US$ 475.000.

Mas agora os médicos estão testando mais tratamentos posteriores à dose de CAR-T. Essas opções - como transplantes de células-tronco - poderiam adicionar centenas de milhares de dólares aos custos e têm efeitos colaterais tóxicos.

Após ter uma reação ruim a remédios padrão depois do Yescarta, Bhat recebeu o Keytruda, grande sucesso da Merck & Co. que elimina um disfarce usado pelas células tumorosas para se esconder do sistema imunológico. É uma injeção que custa US$ 150.000 por ano e não está aprovada para o linfoma. Seu plano de saúde aceitou pagar e, por enquanto, ele diz que se sente bem.

Bhat dá um conselho para outros pacientes: "Tenham esperança e paciência. Alguns dias são normais, outros são mais difíceis. Pensem positivo e tudo vai dar certo."

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