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Funcionários do Google pedem a CEO igualdade para terceirizados

Getty Images
Sede do Google em Mountain View Imagem: Getty Images

Gerrit De Vynck

05/12/2018 15h00

(Bloomberg) -- Um grupo de funcionários do Google escreveu para o CEO Sundar Pichai exigindo melhores condições para os milhares de trabalhadores terceirizados que compõem mais da metade da força de trabalho da gigante da internet.

No mês passado, a Alphabet reformulou o modo como lida com as alegações de assédio e agressão sexual, mas as novas políticas praticamente deixaram de fora os trabalhadores temporários, fornecedores e terceirizados.

Na quarta-feira (4), um grupo de trabalhadores contratados em tempo integral e terceirizados enviou uma carta a Pichai pedindo que isso mude. Eles também fizeram outros pedidos, como acesso aos e-mails e reuniões que abarcam toda a empresa, benefícios e planos de saúde melhores e mais transparência no processo para se candidatar a empregos em tempo integral.

"Continuaremos sendo maltratados e ignorados se ficarmos calados", escreveram os funcionários na carta. "O Google tem o poder --e o dinheiro-- para garantir que sejamos tratados de forma equitativa."

Este é o exemplo mais recente de reclamações dos funcionários do Google, em uma época em que a empresa está sendo criticada pelo modo como lida com má conduta sexual, contratos com as forças armadas dos EUA e um plano para construir um mecanismo de busca censurado na China.

O Google afirmou que tem regras rigorosas sobre como distribuidores e fornecedores respondem a desvios de conduta e que investiga quando um trabalhador terceirizado faz uma reclamação contra um funcionário do Google.

Corporações dos EUA costumam usar trabalhadores terceirizados. Mas alguns funcionários do Google e ativistas externos afirmam que a empresa, que está em vias de obter mais de US$ 30 bilhões em lucro neste ano, pode facilmente tratar todos os que trabalham em seus escritórios da mesma forma.

Em julho, a Bloomberg escreveu sobre a "força de trabalho fantasma" do Google e revelou que, no início deste ano, pela primeira vez, os trabalhadores temporários, fornecedores e terceirizados compunham mais da metade do total de funcionários da empresa.

Esses trabalhadores, conhecidos internamente como "TVCs", na sigla em inglês, fazem todo tipo de trabalho, desde servir refeições e pilotar carros autônomos até escrever códigos e gerenciar equipes.

Ao contrário dos trabalhadores em tempo integral, eles não recebem ações e muitos têm planos de saúde inadequados. Eles não podem entrar em alguns edifícios nem participar de determinadas reuniões da empresa. Frequentemente, são empregados por agências externas, como Adecco Group, Cognizant Technology Solutions e Randstad.

Vários TVCs entrevistados recentemente pela Bloomberg News afirmaram que se sentem como cidadãos de segunda classe em comparação com funcionários em tempo integral do Google. Eles pediram para não serem identificados por medo de perder o emprego.

Quando ocorreu um tiroteio no campus do YouTube, em San Bruno, Califórnia, em abril, os TVCs não receberam alguns dos comunicados que foram enviados aos funcionários com informações atualizadas sobre a situação e, por isso, se sentiram inseguros, disseram os TVCs.

Os trabalhadores estão frequentemente em equipes com funcionários em tempo integral e disseram que suas contribuições são indistinguíveis das oferecidas por colegas mais bem posicionados.

Um terceirizado, que trabalha de 50 a 60 horas por semana na divisão de marketing do Google, disse que os TVCs são tratados como "danos colaterais", que podem ser contratados e demitidos sem muito aviso prévio para ajudar a empresa a atingir suas metas de maneira rápida e barata.

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