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Restaurante passou 200 anos aperfeiçoando jantar natalino

Ross Kenneth Urken

05/12/2018 16h19

(Bloomberg) -- Desde que foi inaugurado, no ano 803 d.C., o St. Peter Stiftskulinarium, de Salzburgo, serviu Cristóvão Colombo, Johann Georg Faust e o herói local, Wolfgang Amadeus Mozart. Mas a glória de ser o restaurante mais antigo da Europa, um título que ele alega por estimativa própria, já não bastava para o ícone austríaco de 1.200 anos. No ano passado, ele mudou de nome, expandiu a carta de vinhos e trocou suas ofertas estáticas de alimentos por um cardápio mensal de degustação que dá um toque moderno aos clássicos austríacos. Como resultado, ganhou uma classificação de prestígio de dois dos cinco pontos do guia de restaurantes francês Gault Millau pela primeira vez.

Mas nada disso significa que o St. Peter Stiftskulinarium deixou o passado de lado. Agora, até o final de dezembro, seu cardápio celebra o 200º aniversário de "Noite Feliz", cujo letrista, Josef Mohr, cresceu atuando na abadia beneditina anexada ao restaurante. Da neve de algodão e dos pinheiros em suas 11 salas de jantar até o strudel de maçã quentinho da sobremesa, o resultado pode ser simplesmente o jantar de Natal mais festivo do mundo.

Uma rica experiência cultural

Criar um cardápio a partir de uma canção de Natal - uma música cuja letra original se mantém fiel às origens bíblicas do feriado - pode parecer má ideia (ou, no mínimo, anti-higiênico). Mas na Áustria, a sensação evocada pela letra original, que diz que "tudo está calmo, tudo está brilhante", reflete o conceito de Gemütlichkeit, uma versão do "hygge" dinamarquês que também descreve a arte do aconchego durante os dias escuros do inverno. Muitos austríacos associam isso às comidas típicas do Natal, como ganso assado e biscoitos de melaço chamados lebkuchen, diz o famoso chef austríaco Wolfgang Puck, acrescentando que uma refeição longa e generosa, como a oferecida no St. Peter Stiftskulinarium, é praticamente uma exigência cultural nas festas de fim de ano. "A essência do Gemütlichkeit é estar juntos", diz ele. "É sentar-se para conversar, conversar e conversar."

No St. Peter Stiftskulinarium, você vai conversar enquanto degusta aperitivos, como maultaschen (literalmente traduzido como "sacos de boca"), um tipo de ravióli local recheado de cordeiro montanhês do Tirol. Fumegantes ao cortá-los, seu toque salgado é balanceado por uma generosa porção de trufas negras de inverno. Seria bom pedir a truta confit como entrada - é proveniente da vizinha Bluntautal e embebida em um rico leite de avelã -, embora haja também um excelente lombo de vitela da região austríaca de Tennengau, servido com castanhas picadas e pedaços de gema seca. Harmonize com o cuvée do restaurante, o Heiliger Rupert ("Rupert Sagrado"), cujo nome homenageia o santo padroeiro de Salzburgo e é feito com uvas blaufränkisch, merlot e zweigelt em parceria com a adorada vinícola local Heribert Bayer.

Guarde espaço para a sobremesa. As que estão no cardápio são deliciosas e têm os aromas típicos da época de Natal: liwanzen da Boêmia (panquecas de levedura com creme azedo e flor de sabugueiro), parfait de castanha com figos e vinho quente, Salzburger nockerl (um suflê doce com cranberries) e, é claro, um strudel de maçã que é servido quentinho, recém-saído do forno. Com as músicas natalinas de fundo e uma tradicional banda de metais que toca ao vivo no pátio, esta é a definição da alegria das festas de fim de ano.

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