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Sauditas e russos ainda negociam cortes antes de reunião da Opep

Fred Pals, Nayla Razzouk e Elena Mazneva

05/12/2018 14h40

(Bloomberg) -- Na chegada dos ministros da Opep e aliados a Viena para uma reunião decisiva, todos deixaram claro que concordam com a necessidade de reduzir a produção de petróleo. Mas ninguém explicou como transformar esse desejo em realidade.

Faltando apenas um dia para uma cúpula importante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, as negociações preparatórias entre Arábia Saudita e Rússia nesta quarta-feira não produziram nenhum avanço, o que pressiona ambos os lados na busca por um acordo em uma reunião mais ampla, no fim do dia. Há muito em jogo, considerando que os preços tiveram a maior queda mensal desde a crise financeira, em novembro, e os pedidos do presidente dos EUA, Donald Trump, para que a Opep mantenha o controle sobre os preços da energia.

"Há pouca divergência entre os integrantes da Opep quanto à necessidade do corte, mas ainda não há consenso em relação ao tamanho", disse Amrita Sen, analista-chefe para o petróleo da consultoria Energy Aspects. "Comunicar um grande corte, se é que será possível fechar acordo, ainda será um grande desafio devido à complicada relação entre EUA e Arábia Saudita."

Em entrevista, na terça-feira, o ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid Al-Falih, classificou como "prematura" a sugestão de que o grupo Opep+ -- que inclui os aliados Rússia e Cazaquistão -- fecharia acordo para reduzir a produção. A declaração é menos otimista que o apelo feito por ele há cerca de um mês por um corte de 1 milhão de barris por dia. Na terça-feira, após os comentários, o petróleo perdeu boa parte dos avanços que havia conquistado, e voltou a cair nesta quarta-feira.

O ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, disse que o diálogo com Al-Falih na manhã desta quarta-feira foi "bom", mas acrescentou que haverá mais negociações entre os integrantes do Opep+. Al-Falih posteriormente se reuniu com produtores do Golfo como Kuwait, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Omã em busca de consenso.

Otimismo em Omã

"Acredito que haverá acordo", disse Mohammed Al Rumhy, ministro do Petróleo de Omã, que não integra a Opep, acrescentando que Venezuela, Nigéria, Líbia e Irã precisam ser eximidos de qualquer corte.

O Irã atualmente é alvo de sanções dos EUA e, como tal, não participará de nenhuma restrição, disse o governador do país para a Opep, Hossein Kazempour Ardebili, nesta semana. O representante especial dos EUA para o Irã, Brian Hook, se reuniu com Al-Falih em Viena na quarta-feira, segundo uma pessoa informada sobre o assunto.

Na última vez em que fechou acordo para reduzir a produção, no fim de 2016, o grupo Opep+ definiu uma redução combinada de 1,8 milhão de barris por dia. Em reuniões preparatórias antes da cúpula desta semana, os delegados afirmaram que é necessário um corte de 1,3 milhão de barris por dia no próximo ano porque o crescimento da demanda está perdendo força em meio à disparada da produção de xisto dos EUA.

A oportunidade para que os países coloquem as cartas sobre a mesa surge ainda nesta quarta-feira, no Comitê de Monitoramento Ministerial Conjunto, o painel que supervisiona o acordo de 2016. Al-Falih e Novak participarão do encontro, na véspera da reunião plena da Opep, em 6 de dezembro.

--Com a colaboração de Annmarie Hordern, Dina Khrennikova, Grant Smith, Salma El Wardany e Javier Blas.

Repórteres da matéria original: Fred Pals em Amsterdã, fpals@bloomberg.net;Nayla Razzouk em Dubai, nrazzouk2@bloomberg.net;Elena Mazneva em Londres, emazneva@bloomberg.net

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