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Empresa contesta lei mais dura do mundo para rótulo de alimento

Eduardo Thomson

06/12/2018 12h58

(Bloomberg) -- Uma das maiores empresas de alimentos do Chile está criticando uma lei que dificulta a compra desde uma barra de chocolate até um pacote de salgadinhos.

Nos últimos dois anos, no país, produtos de todo tipo, de molhos de salada a bolachas, têm sido acompanhados de alertas categóricos a respeito do alto teor de calorias, açúcar, gordura e sal como parte de um esforço de combate a taxas de obesidade que rivalizam com as dos EUA. Além disso, a lei também proíbe os produtores de alimentos de usar personagens para agradar as crianças -- o homem de bigode da Pringles e o Tigre Tony não podem ser usados e são censurados com um círculo escuro ou diretamente retirados.

A Carozzi, uma empresa de controle familiar que vende de tudo, de massas a sucos e doces, não está satisfeita com o fato de o governo ter exigido a colocação de etiquetas com avisos para desencorajar os consumidores. O Chile é o maior mercado da empresa, respondendo por mais de 60 por cento das vendas. Em seu balanço financeiro de 2017, a Carozzi informou que receita estável no Chile, contrastando com um crescimento de 12 por cento no ano anterior, em parte por causa da lei. Em resposta separada a perguntas, por e-mail, a Carozzi informou que, desconsiderando alguns efeitos isolados, o crescimento teria sido próximo de 8 por cento -- o ritmo alcançado neste ano até setembro.

Patriarca da família

O presidente do conselho, Gonzalo Bofill, atual patriarca da família que comanda a empresa desde 1975, disse recentemente ao jornal local El Mercurio que os alertas eram "um fracasso total". Além disso, a Carozzi publicou anúncios sugerindo mudanças e uma melhor educação para os consumidores. A principal crítica é que o fato de os rótulos englobarem apenas um terço dos alimentos vendidos (itens comprados informalmente na rua são isentos) e a forma com que o governo determina os produtos que devem ser rotulados -- com base em uma porção fixa de 100 gramas e não pelo tamanho real das porções vendidas -- são injustos.

"Não queremos nos livrar dos rótulos, nem dizer às crianças que os alimentos açucarados agora são bons", disse Santiago Valdés, chefe das operações chilenas da Carozzi, em entrevista à rádio Pauta Bloomberg, em 29 de novembro. "Temos agora uma regulamentação que dá uma falsa sensação de segurança e com o tempo as pessoas perceberão que continuamos no mesmo lugar e culparão o setor de alimentos novamente."

As advertências octogonais pretas colocam o país sul-americano na vanguarda de uma tendência global em um momento em que os consumidores estão exigindo mais informações a respeito do conteúdo dos alimentos. A lei, considerada a mais rigorosa do mundo, era também uma necessidade: um estudo de 2016 da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que o Chile tem a taxa de obesidade mais elevada da região, atrás apenas dos EUA entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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