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China pode salvar porcos da aniquilação se imitar Rússia

Lucca de Paoli e Anatoly Medetsky

07/12/2018 16h09

(Bloomberg) -- A maior produtora de carne de porco da Rússia tem a resposta para as autoridades chinesas, que enfrentam a rápida propagação de uma doença que ameaça devastar a maior indústria de suínos do mundo: cresça e aposte na limpeza ou desista.

A Miratorg, que cria 3 milhões de suínos por ano, não apenas mantém rigorosas medidas de quarentena em todos os níveis em suas fazendas, mas também proíbe que os trabalhadores criem seus próprios porcos e cacem javalis. Essas medidas de biossegurança permitiram que a empresa prosperasse diante de uma das doenças suínas mais perigosas do mundo.

As medidas de controle da doença são a principal razão pela qual a produção de suínos da Rússia está a caminho de dobrar em 2019 os níveis de 2007, quando a peste suína africana iniciou sua marcha neste país transcontinental. Trata-se de uma evidência de que o vírus devastador -- que registrou mais de 1.000 surtos diferentes na Rússia e reduziu quase pela metade o número de criações de porcos de pequena escala -- pode ser controlado.

Agora que uma cepa virtualmente idêntica da doença -- que normalmente mata porcos em poucos dias, mas que, pelo que se sabe, não afeta humanos -- se espalhou pela vizinha China, as autoridades veterinárias estão descobrindo que as fazendas do país podem precisar seguir o mesmo caminho que a Miratorg.

Não estavam prontos

"Quando o vírus apareceu na Rússia, cerca de metade da nossa produção de carne de porco vinha de pequenos criadores e eles não estavam prontos para se adaptar", disse Yury Kovalev, chefe do sindicato nacional de produtores de suínos do país. "As fazendas pequenas começaram a morrer. Foi difícil para elas ter uma proteção adequada."

Enquanto isso, fazendas de suínos altamente industrializadas aumentaram a produção apesar da epidemia, segundo uma carta publicada em abril por cientistas do Centro Federal de Pesquisa em Virologia e Microbiologia da Rússia. Na China, o controle da doença está sendo prejudicado pelas milhões de pequenas fazendas de suínos e pelas práticas comerciais que envolvem o transporte de suínos de fazenda em fazenda por distâncias de até 2.200 quilômetros.

"A China está aprendendo suas próprias lições", disse Matthew Stone, vice-diretor geral da Organização Mundial de Saúde Animal, em Paris. "Há um entendimento claro de que as práticas de biossegurança agrícola têm sido um desafio para eles e de que isso é algo que eles precisam resolver."

Em nenhum lugar do mundo o ímpeto é maior. A indústria de carne suína da China é muito maior do que a da Rússia. O país abriga metade dos porcos do planeta, que abastecem uma indústria de carne suína de US$ 128 bilhões e são a principal fonte de carne. Vizinhos como Coreia do Norte, Vietnã, Laos e Mianmar também dependem da carne de porco.

Se não for controlada, essa doença incurável, contra a qual não existe vacina, tem o potencial de devastar a produção de suínos, de alterar os fluxos de alimentos e até de prejudicar o crescimento econômico. A carne suína pode representar quase 3 por cento do índice de preços ao consumidor da China, um dos principais indicadores de inflação.

--Com a colaboração de Megan Durisin.

Repórteres da matéria original: Lucca de Paoli em Londres, gdepaoli1@bloomberg.net;Anatoly Medetsky em Moscou, amedetsky@bloomberg.net

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