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Coletes Amarelos franceses organizam ações na internet

Marie Mawad

07/12/2018 13h04

(Bloomberg) -- Com um boné virado para trás, ele sopra fumaça de cigarro na câmera e come batatas fritas enquanto 13.000 pessoas assistem: os manifestantes do grupo Coletes Amarelos o conhecem como "Fly Rider".

Um dia depois da onda de violência do último fim de semana, que deixou carros queimados e vidros quebrados em distritos luxuosos de Paris, manifestantes do movimento de base Coletes Amarelos rapidamente se reuniram para discutir e definir futuras táticas. O ponto de encontro: um grupo no Facebook dirigido por Maxime Nicolle, de 31 anos. Publicando com o pseudônimo "Fly Rider", ele se tornou uma estrela da internet em apenas algumas semanas e passou a ser o rosto de destaque das greves francesas.

Nicolle é um dos vários ativistas on-line que estão fazendo o presidente francês, Emmanuel Macron, suar frio: com mais de 120.000 membros, seu grupo no Facebook tem como objetivo ajudar a coordenar e organizar ações, bem como canalizar as pretensões dos manifestantes. Lá tem postagens sobre tudo, desde manifestantes feridos até o que usar para escapar do gás lacrimogêneo.

Fama

A França é o mais recente lugar onde plataformas como Facebook e Twitter, mas também software de mensagens como WhatsApp e Telegram, estão sendo usadas por manifestantes para se organizar e coordenar ações. Isso gerou dúvidas sobre os zés-ninguém que se tornam líderes na internet praticamente da noite para o dia, ganhando rapidamente fama e influência.

"Tem um punhado de pessoas que conseguiram monopolizar as atenções na internet - desconhecidos que se tornaram grandes influenciadores", disse Bénédicte Matran, chefe de estudos da empresa de análise de redes sociais Visibrain. "As redes sociais deram origem a garotos-propaganda para a rebelião, e eles superaram os políticos no topo do ranking de influenciadores."

Em um bate-papo em vídeo ao vivo no domingo, que atraiu cerca de 13.000 espectadores, Nicolle disse que "muita gente está trabalhando on-line, criando grupos no Facebook para ajudar a estruturar o movimento - caso contrário, seria um caos". Nicolle falou sobre notícias falsas, medidas tomadas pelo governo francês e também sobre coisas como tocar violão e comer batatas fritas.

França com raiva

Em uma iniciativa similar, "La France en colere !!!" ("A França está com raiva!!!"), um grupo de Eric Drouet e Priscillia Ludovsky, ultrapassou a marca de 200.000 membros e, assim como Nicolle, seus moderadores têm aparecido nos noticiários de televisão como porta-vozes do movimento Coletes Amarelos. No início desta semana, Drouet pediu que os manifestantes invadissem o palácio presidencial do Eliseu.

Matran disse que muitas das contas mais visíveis do Twitter que escrevem sobre os Coletes Amarelos têm um posicionamento político de extrema direita. O político nacionalista Nicolas Dupont-Aignan é o político que está mais alto no ranking, com cerca de 35.000 retweets O presidente da França, Emmanuel Macron, não aparece na lista elaborada pela Visibrain dos 40 principais influenciadores com base no Twitter.

O conteúdo do Facebook e do Twitter é, em sua maioria, público, então os governos podem estudá-lo e usá-lo para combater o movimento, se quiserem. Os aplicativos de mensagem, como WhatsApp e Telegram, são mais complicados porque os grupos de bate-papo são privados e é difícil medir a influência.

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