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Sonda chinesa será primeira a explorar lado oculto da Lua

Bloomberg News

07/12/2018 15h34

(Bloomberg) -- O ambicioso programa espacial da China irá aonde nenhum outro programa chegou: do outro lado da lua.

A sonda lunar Chang'e-4 tem lançamento programado para este mês, noticiou a imprensa estatal. Se tudo sair conforme o planejado, o veículo espacial -- batizado em homenagem à mítica deusa chinesa da Lua -- pousará dentro de algumas semanas na bacia de Aitken, na Lua, onde fará imagens da superfície e coletará amostras do solo.

O pouso nesta região inexplorada permitirá que o rover da Chang'e-4 estude melhor a Lua e o espaço devido à falta de interferência eletromagnética da Terra. O rover está equipado com um espectrômetro de rádio de baixa frequência para ajudar os cientistas a entender "como as primeiras estrelas se inflamaram e como nosso cosmos surgiu da escuridão após o Big Bang", segundo a Xinhua, a agência oficial de notícias da China.

A sonda levará também uma lata cheia de sementes de batata e arabidopsis, uma pequena planta que é parente do repolho e da mostarda, informou a Xinhua. Os cientistas testarão se as plantas conseguem crescer na Lua.

A Chang'e-4 poderá transportar também ovos de bicho-da-seda para realizar o primeiro experimento biológico. Nenhuma das agências governamentais envolvidas no programa espacial -- incluindo a Administração Estatal de Ciências, Tecnologia e Indústria de Defesa Nacional; a Administração Espacial Nacional da China; e a Divisão de Exploração Lunar e do Espaço Profundo da China -- publicou detalhes a respeito do lançamento da Chang'e-4.

Em maio, a China lançou um satélite de transmissão chamado Queqiao, atualmente em órbita a cerca de 450.000 quilômetros da Terra, onde pode ser mantido um equilíbrio gravitacional para que o equipamento não saia do rumo e transmita mensagens do rover para a Terra.

O programa Chang'e engloba uma série de sondas que a China colocou em órbita e pousou na Lua. A Chang'e-3, lançada em 2013, e seu rover Yutu, ou Jade Rabbit, pesquisaram a geologia e os recursos naturais da Lua após um pouso suave.

O país também planeja lançar sua primeira sonda para Marte até o fim da década, segundo um documento técnico sobre as atividades espaciais da China emitido em 2016. Além disso, a China pretende construir sua própria estação espacial em 2022, informou a Xinhua.

O país quer ser uma das três maiores potências aeroespaciais do mundo até 2030, disse Wu Yanhua, vice-administrador da Administração Espacial Nacional da China, no ano passado. Seu orçamento espacial é de cerca de US$ 8 bilhões por ano, menor apenas que o dos EUA, segundo a organização Space Foundation, em Colorado Springs, Colorado.

A Nasa persegue o duplo desafio de construir uma plataforma orbital lunar e devolver os astronautas à Lua em meados da década de 2020 com o objetivo final de enviar seres humanos a Marte. O veículo espacial Mars InSight pousou no planeta no mês passado para estudar seu interior e ajudar a responder perguntas a respeito da origem do sistema solar.

To contact Bloomberg News staff for this story: Dong Lyu em Pequim, dlyu3@bloomberg.net

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