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Poluição piorou em 2018 por causa de dois setores negligenciados

Eric Roston

2019-01-08T14:09:21

08/01/2019 14h09

(Bloomberg) -- No debate sobre a mudança climática, os maiores poluidores - pense em usinas, caminhões e carros - são os que mais chamam a atenção dos responsáveis pela elaboração de políticas. Novas pesquisas sugerem que talvez seja necessário adotar uma perspectiva mais abrangente.

Dois setores frequentemente negligenciados registraram os maiores aumentos na poluição causada por dióxido de carbono nos EUA em 2018. As emissões geradas pela fabricação industrial aumentaram 5,7 por cento, de acordo com a empresa de pesquisas Rhodium Group. Edifícios comerciais e residenciais geraram 10 por cento mais emissões.

Esses aumentos deram impulso ao acréscimo de 3,4 por cento na poluição geral, o segundo maior aumento anual nos últimos 20 anos. O transporte, que continua sendo a maior fonte de dióxido de carbono da economia dos EUA, provocou um incremento de cerca de 1 por cento.

O aumento da poluição proveniente de edifícios evidencia um problema especial para os responsáveis pelas políticas. Está fortemente relacionado ao clima - um inverno mais quente em 2017 reduziu a demanda por combustível para aquecimento e fez com que o retorno à normalidade em 2018 parecesse um pico. E, embora os órgãos reguladores possam elevar os padrões de eficiência e alterar os códigos para novas construções de edifícios, não há muito que possam fazer para controlar o uso de energia nas residências e nos escritórios já existentes.

A produção industrial aumentou no ano passado, impulsionada por uma economia robusta de modo geral. Mas uma ótima notícia para as fábricas pode ser uma dor de cabeça para os que pretendem reduzir as emissões de carbono. "O setor industrial ainda é praticamente ignorado" pelos responsáveis pela elaboração de políticas climáticas, escreveram os autores da Rhodium.

Esses "setores esquecidos", como os autores da Rhodium os chamam, representam juntos cerca de um terço do dióxido de carbono dos EUA, sendo que as fontes industriais contribuíram com 22 por cento e os edifícios com 11 por cento em 2016, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

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