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É `dever' revelar procedência de diamantes, diz CEO da Tiffany

Kim Bhasin e Emma Chandra

09/01/2019 13h17

(Bloomberg) -- A Tiffany está informando aos consumidores de onde vêm seus diamantes com o objetivo de oferecer mais transparência em um setor famoso pela falta dela. Segundo seu principal executivo, a mudança era imperativa.

"Este assunto se tornou cada vez mais relevante para as novas gerações", disse o CEO Alessandro Bogliolo, em entrevista à Bloomberg TV. "É nosso dever, como líderes em diamantes, oferecer essa informação aos clientes."

A Tiffany está empreendendo uma iniciativa de revitalização sob o comando de Bogliolo, buscando atrair consumidores mais jovens com uma imagem renovada. A empresa recrutou celebridades como Zoe Kravitz, Elle Fanning e Maddie Ziegler e está realizando uma enorme reforma de sua principal loja de Nova York. Contudo, no último trimestre a recuperação esbarrou na queda dos gastos dos turistas, apesar das apostas da Tiffany no público jovem.

Bogliolo disse que a revelação da procedência dos diamantes da Tiffany não é uma jogada de marketing, e sim um esforço real para atrair mais clientes que dão valor à transparência. Ele disse que, apesar de a Tiffany ter sido vista durante anos como uma marca mais conservadora, nos últimos tempos a direção deu grandes passos para atrair uma clientela mais ampla.

"O que fizemos nos últimos anos foi realmente abraçar a mudança com o objetivo de ser culturalmente relevantes para as pessoas -- para a sociedade atual", disse Bogliolo.

A partir desta quarta-feira, os consumidores poderão ver a região ou o país de origem exibidos ao lado de uma seleção de anéis de diamante e solicitar aos funcionários da loja informações geográficas a respeito de todos os diamantes recém-adquiridos e individualmente registrados.

Trajetória completa

Quanto ao futuro, a Tiffany pretende revelar a trajetória completa de um diamante na cadeia de abastecimento -- do lugar onde é extraído até o lugar onde é cortado e polido -- até 2020. Segundo a empresa, a prática é pioneira no setor.

A indústria de diamantes registra US$ 80 bilhões em vendas por ano, segundo a De Beers, e suas práticas de compras têm a má fama de serem obscuras. Foram necessários grandes investimentos até mesmo para poder disponibilizar a informação sobre a procedência.

Nas últimas duas décadas, a Tiffany investiu dezenas de milhões de dólares em corte e polimento de diamantes, enquanto a maioria das joalherias compra diamantes já cortados dos fornecedores. A empresa emprega mais de 1.500 pessoas em suas oficinas de diamantes.

A maior parte dos diamantes da Tiffany vem de minas conhecidas da África do Sul, da Namíbia, de Botsuana, da Rússia e do Canadá. A Tiffany não comprará mais nenhum diamante de origem desconhecida, mesmo que cumpra os padrões do setor como um todo.

"Espero que isso possa, também, melhorar os padrões do setor de diamantes", disse Bogliolo.

Repórteres da matéria original: Kim Bhasin em Nova York, kbhasin4@bloomberg.net;Emma Chandra em N York, echandra6@bloomberg.net

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