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No jet set de Ghosn, fortuna de US$ 120 mi pode ser ninharia

Tom Metcalf

2019-01-09T12:46:17

09/01/2019 12h46

(Bloomberg) -- Para a maioria das pessoas, a fortuna de Carlos Ghosn representa um nível quase inconcebível de riqueza, e as alegações de que ele tentaria incrementá-la podem parecer estranhas. Mas, no reino dos executivos que são superestrelas, uma fortuna de nove dígitos pode parecer uma ninharia.

Seu patrimônio líquido é pequeno se comparado ao de alguns colegas. O falecido Sergio Marchionne tinha ações da Fiat Chrysler Automobiles, da Ferrari e da CNH Industrial que valiam ao todo US$ 486 milhões. O salário de Ghosn era menor do que o dos diretores da Ford Motor e da Volkswagen.

A discrepância é ainda maior fora do mundo automotivo. Onze executivos de empresas de capital aberto dos EUA receberam mais de US$ 100 milhões de remuneração em 2017, de acordo com o Bloomberg Pay Index. E a fortuna de Ghosn é ofuscada pela de executivos de longa data do setor bancário, como Jamie Dimon (US$ 1,5 bilhão), do JPMorgan Chase, e Lloyd Blankfein (US$ 1,1 bilhão), do Goldman Sachs Group.

Aviões particulares

Para Ghosn, figurinha carimbada no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, esses são os executivos com quem ele andava e a quem se comparava. Ele gostava de quantificar o sucesso. "Fico de olho na tabela de desempenho", disse ele a um grupo de formandos de Administração tailandeses, quando lhe pediram que explique sua ascensão.

E US$ 120 milhões têm um limite no exclusivo mundinho de aviões particulares e casas caras que ele habitava - particularmente para um divorciado que deu uma festa inspirada em Maria Antonieta no Palácio de Versalhes para celebrar seu segundo casamento.

A Nissan forneceu a Ghosn e sua família o uso de imóveis em lugares como Brasil e França. Comprar as cinco casas identificadas pela Bloomberg custaria cerca de US$ 25 milhões. Se Ghosn tivesse que usar um avião próprio, em vez do jato corporativo da Nissan, um Gulfstream G650 usado custaria entre US$ 40 milhões e US$ 60 milhões, de acordo com Tim Barber, da Duncan Aviation, supondo que "ele não quisesse desembolsar US$ 70 milhões para comprar um novo".

Diferença de riqueza

Essas despesas ressaltam a crescente disparidade de riqueza entre os ricos e os realmente ricos, um reino raramente visto, onde o nível de serviço de elite em alguns bancos privados atualmente é reservado para quem tem US$ 1 bilhão. Essa desconexão - apenas vivida por uma fração minúscula da população - oferece uma explicação para por que Ghosn procurou elevar seu salário e se recompensar com remunerações lucrativas após a aposentadoria.

Ele elaborou um plano de incentivo de 10 bilhões de ienes (US$ 92 milhões) para a diretoria, sendo que 90 por cento do valor estava destinado a ele, disseram pessoas com conhecimento direto da investigação. Além disso, havia um plano vinculado ao preço das ações de 4,7 bilhões de ienes, chamado de direito de valorização das ações, que ele planejava receber depois da aposentadoria. E os promotores alegam que ele não declarou oito anos de pagamento diferido, que também chegou a cerca de 9 bilhões de ienes. O plano de incentivo não foi adotado e os direitos de valorização das ações teriam expirado em março de 2019, de acordo com outras pessoas com conhecimento do caso de Ghosn.

Ghosn negou ter cometido irregularidades em relação a esses programas de compensação, que poderiam ter aumentado sua fortuna para mais de US$ 200 milhões, segundo cálculos da Bloomberg.

Tamanhas riquezas materiais são agora uma perspectiva distante para o executivo em apuros. Após sua aparição no tribunal, ele retornou à prisão de Tóquio, onde seus dias são interrompidos por 30 minutos de exercícios obrigatórios e três refeições.

--Com a colaboração de Kae Inoue, Anders Melin e Ma Jie.

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