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Último dono de um milhão de ações do Goldman se aposenta

Sridhar Natarajan e Tom Metcalf

2019-01-09T13:08:03

09/01/2019 13h08

(Bloomberg) -- Ele enfrentou o xerife de Wall Street, Eliot Spitzer. Ele brigou com um Congresso irritado. Ele conteve escândalos que, às vezes, chegaram aos santuários mais recônditos do banco.

Durante duas décadas, Greg Palm travou sucessivas batalhas pelo Goldman Sachs Group. Agora, aos 70 anos, ele está pronto para deixar de ser seu principal advogado.

Na verdade, ele iria embora no ano passado, mas sua saída foi adiada, segundo pessoas a par do assunto. Investigações sobre o trabalho do Goldman Sachs ligadas ao fundo malaio de investimento 1MDB têm esquentado. No entanto, projeta-se que Palm abandonará o banco nas próximas semanas, sendo que as negociações sobre o 1MDB estão firmemente sob o controle da codiretora do departamento jurídico, disseram as pessoas.

Por enquanto, a saída de Lloyd Blankfein no mês passado concedeu ao diretor jurídico de longa data um título conferido a poucos: hoje, nenhuma outra pessoa na instituição tem mais ações do banco do que Palm, dono de um pé-de-meia de um milhão de ações.

Provavelmente nenhum outro funcionário acumulará tantas ações de novo. Palm pertencia à sociedade antes da abertura de capital do banco, em 1999 - um grupo que está desaparecendo à medida que o banco atravessa uma mudança geracional.

"Não sei se alguma vez resolvemos um problema completamente, mas sempre tivemos uma relação amistosa", disse Spitzer, que chegou a ser governador de Nova York após atacar os bancos de Wall Street como procurador-geral do estado. "Uma entidade tão grande quanto o Goldman sempre vai ter problemas. Greg sairá merecidamente com aplausos."

Um porta-voz da instituição preferiu não fazer comentários em nome de Palm.

Recompensas

Por seu papel à frente das batalhas mais árduas do Goldman Sachs, Palm foi recompensado generosamente por seu empregador. Ele ganhou cerca de US$ 500 milhões, incluindo cerca de US$ 180 milhões em ações do Goldman, além de dividendos, distribuições de fundos administrados pela companhia e o arrecadado com a venda de ações, segundo dados compilados pela Bloomberg. Palm está entre os advogados corporativos mais ricos dos EUA e entre as pessoas mais ricas que trabalham em algum banco de investimento do mundo, o que destaca sua persistente importância para o Goldman ao longo de 26 anos.

Palm tem estado ocupado nos últimos anos. Ele prestou depoimento ao Comitê Bancário do Senado dos EUA quando o governo resgatou o setor financeiro em 2008. Depois, ele travou uma notória batalha para defender o Goldman Sachs quando o banco foi vilipendiado e acusado de ter enganado os investidores com títulos lastreado por hipotecas.

Isso incluiu negociações tensas com a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês), que tinha entrado inesperadamente com um processo pelo que ficou conhecido como o escândalo Abacus. Ele irritou os funcionários da SEC com sua falta de disposição para expressar remorso pela atuação do Goldman Sachs, segundo uma pessoa a par das negociações. O banco acabou pagando uma multa recorde e admitindo que cometeu um "erro" nos materiais de marketing.

Em um evento no ano passado, um advogado do escritório de advocacia Sullivan & Cromwell fez uma piada sobre um aspecto de Palm que raramente é visto.

"Greg também tem um lado competitivo", disse Bob Giuffra. "Quando ele está negociando um acordo com o governo, sua única regra é pagar menos do que o JPMorgan."

Repórteres da matéria original: Sridhar Natarajan em N York, snatarajan15@bloomberg.net;Tom Metcalf em Londres, tmetcalf7@bloomberg.net

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