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Mexicanos pedem que governo solucione escassez de combustível

Amy Stillman

10/01/2019 14h45

(Bloomberg) -- Hugo Ramírez Sánchez caminhou uma hora para encontrar um posto de gasolina aberto no bairro de Cuauhtémoc, na Cidade do México, depois que seu carro ficou sem combustível. Jorge Mendoza fez uma estressante viagem de 50 minutos de carro saindo de sua casa com o tanque quase vazio.

Em toda a região central do México, os motoristas estão rodando com tanques vazios ou enfrentando horas de fila nos postos em meio aos esforços do governo para deter os roubos de combustível, que estão piorando a escassez de gasolina em todo o país. Mais de um quarto dos 400 postos de gasolina da Cidade do México enfrenta problemas, disse a prefeita Claudia Sheinbaum em vídeo, no Twitter, assegurando aos espectadores que o abastecimento se normalizaria na quarta-feira. Os estados de México, Hidalgo, Jalisco, Michoacán, Guanajuato e Querétaro estão entre os mais afetados.

"O governo diz que não há escassez, mas há escassez, sim", disse Mendoza, apontando para as duas filas de carros que serpenteavam pela rua até o posto de gasolina de bandeira Pemex. "Agora vou me atrasar com meus clientes e talvez eles não voltem a me ligar."

O presidente Andrés Manuel López Obrador tem procurado conter o roubo desenfreado de gasolina, que custa à estatal Petróleos Mexicanos cerca de US$ 3,5 bilhões por ano. Mas sua estratégia tem provocado grandes atrasos na distribuição em um momento de alta demanda sazonal.

Problemas de distribuição

Para impedir roubos, o governo fechou e ampliou a vigilância nos oleodutos, confiando a caminhões-tanque mais lentos -- e mais caros -- a tarefa de transportar combustível pelo país. Além disso, colocou o Exército nos terminais de combustível e refinarias da Pemex, que já estão operando com cerca de um terço da capacidade devido aos prolongados ciclos de manutenção e aos investimentos insuficientes. O país também carece de infraestrutura para o armazenamento de combustível.

Os problemas de distribuição pioraram os gargalos nos portos mexicanos, onde um número recorde de navios-tanque aguardava para descarregar após fechamentos de portos por problemas climáticos nos últimos meses.

Navios-petroleiros transportando pelo menos 8,3 milhões de barris de gasolina, diesel e combustível de aviação aguardavam para descarregar ao largo dos portos de Pajaritos, Tuxpan e Tampico na noite de terça-feira, sendo que alguns estão à espera desde 23 de dezembro, segundo relatórios de navegação obtidos pela Bloomberg. O demurrage, que são as taxas de sobrestadia cobradas quando os navios ficam detidos além do tempo programado, normalmente custa de US$ 22.000 a US$ 24.000 por dia.

Pouco a pouco

O combate às extrações ilegais nos oleodutos efetuadas por ladrões de combustíveis conhecidos como "huachicoleros" levará algum tempo, e o abastecimento de gasolina começará a se normalizar pouco a pouco, disse López Obrador, em entrevista ao El Financiero Bloomberg TV, na noite de terça-feira. "Temos gasolina suficiente, não há problema, é uma questão de distribuição", disse.

Muitos mexicanos, no entanto, estão perdendo a paciência. "Por que o presidente não consultou os cidadãos sobre esse plano como fez com todo o resto?", disse Mendoza, balançando a cabeça. "Isto não é comprar por desespero. Se eu não abastecer o carro agora, estou ferrado."

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