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Astignes Capital espera duas altas de juros nos EUA em 2019

Bei Hu

2019-01-11T12:37:16

11/01/2019 12h37

(Bloomberg) -- O banco central dos EUA tem espaço para duas elevações na taxa básica de juros neste ano, o que manterá a pressão sobre ativos de risco. É esta a aposta de Bart Broadman, que atuava no banco de investimento do JPMorgan Chase e hoje comanda a firma de fundos de hedge Astignes Capital Asia.

Os investidores estão pessimistas demais em relação ao crescimento da economia americana e à guerra comercial com a China, segundo Broadman. O PIB dos EUA deve se expandir aproximadamente 2 por cento neste ano.

"Isso é longe do território de recessão", disse Broadman. "Você verá o Fed subindo duas vezes em 2019, o que continuará colocando alguma pressão sobre os ativos", acrescentou ele, se referindo ao Federal Reserve.

Sediada em Cingapura, a Astignes supervisiona cerca de US$ 1,5 bilhão. Antes dela, Broadman fundou a Alphadyne Asset Management com um colega do JPMorgan chamado Philippe Khuong-huu. Em 2017, ele saiu da divisão asiática da Alphadyne e montou a Astignes, focada em negociação de instrumentos de câmbio e juros na região.

Preocupações com a desaceleração nos EUA e tensões comerciais provocaram queda de 14 por cento do S&P 500 nos últimos três meses de 2018. Foi o pior desempenho trimestral do índice acionário desde o terceiro trimestre de 2011.

No mercado de títulos do Tesouro americano, foi praticamente descartada a possibilidade de qualquer elevação de juros até o início de 2020. Jeffrey Gundlach, da Doubleline Capital, e o bilionário Stan Druckenmiller estão entre os que defendem uma pausa no ciclo de aperto.

No final do mês passado, o Goldman Sachs Group reduziu a projeção para o crescimento econômico nos EUA, sem perspectiva de aumento nos juros.

A tensão comercial entre EUA e China diminuirá antes da eleição presidencial em 2020, após o Partido Republicano ter perdido maioria na Câmara de Deputados e também por causa das concessões feitas pela China, acredita Broadman.

"Ambos os lados sentiram alguma dor para chegar até aqui", disse ele. "Ambos os lados parecem ansiosos para mostrar progresso agora. Provavelmente o pior já passou."

Depois de quatro altas nos juros em 2018, o gestor espera pouca movimentação para o dólar em 2019. No ano passado, o dólar só não se valorizou em relação a duas moedas asiáticas (de Japão e Tailândia), segundo dados compilados pela Bloomberg.

O crescimento global diminuirá a ponto de fazer de 2019 outro ano difícil, de acordo com Broadman. Para ele, os investidores devem se preocupar especificamente com o mercado de títulos corporativos, um dos mais visados desde que os bancos centrais começaram o processo de flexibilização monetária. A retirada dos estímulos pode levar a mais problemas com dívidas do que se espera, segundo dele.

Japão e Coreia do Sul

Para a China, a Astignes tem uma visão "muito otimista no longo prazo" e aposta que o Japão se destacará pelo crescimento superior ao observado após a crise. Já a Coreia do Sul proporcionou oportunidades atraentes de negociação de ativos via aperto monetário, pausa e reversão. Embora o banco central sul-coreano tenha subido juros para acompanhar sua contraparte nos EUA, o mercado antecipa uma reversão diante do recuo no crescimento na China e das disputas comerciais.

Na Austrália, a dependência do capital externo vem forçando a alta das taxas de captação em resposta aos aumentos de juros nos EUA, mesmo com o desaquecimento do mercado de imóveis residenciais. Broadman espera um corte nos juros na Austrália.

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