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PG&E enfrenta rebaixamento e protestos na Califórnia

Mark Chediak, David R. Baker e Romy Varghese

11/01/2019 12h45

(Bloomberg) -- A PG&E, gigante dos serviços públicos da Califórnia, não para de receber más notícias.

Primeiro, manifestantes lotaram uma audiência na quinta-feira em oposição a qualquer tentativa de repassar custos aos consumidores por bilhões de dólares em possíveis responsabilidades por incêndios. Depois, os órgãos reguladores estaduais decepcionaram os investidores porque não ofereceram garantias que ajudariam a manter a solvência da empresa. E, para encerrar o dia, a Moody's Investors Service reduziu a nota de crédito da empresa para o grau especulativo, uma medida que obrigará a companhia a colocar dinheiro como garantia e a expulsa do maior índice de títulos com grau de investimento.

"O inevitável finalmente aconteceu" com a PG&E, disse Carol Levenson, diretora de pesquisa da Gimme Credit, em nota publicada na noite da quinta-feira. "Agora que as agências de risco entraram em ação (basicamente, fechando o acesso aos mercados de capitais), esta poderia ser a gota d'água para que a empresa tome a decisão de pedir recuperação judicial."

As ações da companhia com sede em São Francisco registravam queda de 27 por cento nesta semana até quinta-feira. O declínio continuou nesta sexta-feira, com uma queda de cerca de 6,5 por cento no começo das negociações.

A crise financeira da PG&E está se aprofundando porque a empresa enfrenta até US$ 30 bilhões em indenizações a pagar por uma série de incêndios devastadores em 2017 e em 2018 que podem ter sido provocados por seus equipamentos elétricos. Essas possíveis obrigações praticamente paralisaram a maior empresa de energia elétrica da Califórnia, que, segundo fontes, estuda entrar com um pedido de recuperação judicial em questão de semanas.

Sem garantias

O novo governador da Califórnia, Gavin Newsom, não disse se está disposto a resgatar a PG&E pela via legislativa. Em entrevista coletiva não relacionada ao assunto na quinta-feira, ele só disse que os problemas da PG&E tinham prioridade na agenda dele. Depois, em entrevista, ele disse que escalaria pessoas nos próximos dias para formar um painel que abordará incêndios ligados a empresas de energia elétrica.

Arrodeados por manifestantes na quinta-feira, os membros da Comissão de Serviços Públicos da Califórnia também não ofereceram nenhum tipo de garantia aos investidores da PG&E. Em meio aos gritos de "assassinato", "perjúrio" e "homicídio culposo" de uma dúzia de ativistas, a agência concordou em iniciar procedimentos para realizar um chamado teste de estresse dos custos das empresas com incêndios. O objetivo é ver o tamanho do rombo financeiro que empresas como a PG&E podem aguentar sem perder a viabilidade.

Enquanto isso, a PG&E agora tem duas notas de grau especulativo, após o rebaixamento feito nesta semana pela S&P Global Ratings. Isso significa que a empresa deverá usar dinheiro como garantia para contratos de eletricidade, segundo a última apresentação trimestral da empresa, que estima que a companhia terá que dar garantias completas para até US$ 800 milhões em posições. A empresa tinha US$ 430 milhões de caixa nos livros contábeis em setembro, segundo fatos relevantes.

Em resposta aos rebaixamentos, a PG&E afirmou por e-mail que está "avaliando ativamente suas operações, suas finanças, sua gestão, sua estrutura e sua governança - e continua concentrada em aprimorar a segurança e a eficácia operacional".

--Com a colaboração de Brian Eckhouse.

Repórteres da matéria original: Mark Chediak em San Francisco, mchediak@bloomberg.net;David R. Baker em São Francisco, dbaker116@bloomberg.net;Romy Varghese em São Francisco, rvarghese8@bloomberg.net

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