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Acaba imunidade das metrópoles à queda do mercado imobiliário

Patrick Clark

2019-01-16T13:10:33

16/01/2019 13h10

(Bloomberg) -- Desde a época da crise financeira, cidades globais como Londres, Hong Kong e Nova York pareciam desafiar os ciclos do mercado de imóveis residenciais, graças à concentração de instituições financeiras e da profecia autorrealizável de que eram porto seguro para investidores. Ultimamente, cada divulgação de dados coloca essa hipótese em xeque.

Em Manhattan, o preço mediano de um apartamento caiu para menos de US$ 1 milhão pela primeira vez em três anos. Em Hong Kong, o valor das residências registrou a maior sequência de perdas desde 2008. Nos bairros mais afastados de Londres, os preços recuaram pela primeira vez desde 2011. Em Sydney, a deterioração do mercado imobiliário é a mais grave desde a década de 1980.

No segmento de imóveis de luxo, os preços aumentam no ritmo mais lento desde 2012, segundo índice da Knight Frank que abrange 43 cidades. Para alguns, trata-se de um recuo bem organizado. Para outros, há motivos para preocupação. Um estudo divulgado em novembro pelo Fundo Monetário Internacional alertou que a sincronia dos preços dos imóveis residenciais nas cidades globais significa que choques locais podem abalar mercados no mundo todo.

Várias cidades globais afetam "o sentimento sobre a percepção de risco", disse Albert Saiz, professor de economia urbana do Massachusetts Institute of Technology (MIT). "Se Nova York ou Londres escorregam, sua importância talvez seja suficiente para ter impacto sobre o mercado inteiro."

Na busca por maior rendimento, investidores internacionais despejaram dinheiro em propriedades nas cidades mais caras do mundo, elevando ainda mais os preços. As autoridades reagiram com restrições aos fluxos de capital externo. Ainda neste mês, parlamentares britânicos publicarão detalhes sobre o imposto sobre a compra de imóveis por estrangeiros em Londres, após o aumento das taxas sobre casas compradas por empresas e sobre imóveis comprados por quem já tinha a casa própria. O governo também eliminou isenções tributárias para quem financia a compra de imóveis para aluguel. Nos bairros mais caros de Londres, os preços das casas caíram 19 por cento desde o pico atingido em 2014, segundo dados da Savills, mas os esforços para restringir as compras para fins de investimento ainda estão em curso.

Em outras partes do mundo, observa-se uma dinâmica parecida. O número de casas vendidas em Vancouver desabou 32 por cento em 2018, após a aplicação de novos impostos, regras mais rigorosas para financiamento imobiliário e alta dos juros. Em Auckland, os preços caíram pela primeira vez desde 2008 após a Nova Zelândia aprovar leis para limitar as compras por estrangeiros, argumentando que colaboravam para a disparada dos custos de moradia. Em Sydney, os preços dos imóveis residenciais diminuíram 11 por cento em relação ao pico atingido em 2017 após o aperto do crédito e a imposição de restrições às compras por estrangeiros.

Ações governamentais

"Ações governamentais para reduzir compras por estrangeiros e/ou afetar as possibilidades dos tomadores de empréstimos provocaram estagnação ou queda de preços de imóveis residenciais em Sydney, Melbourne, Toronto, Vancouver e Estocolmo", afirmou a Fitch Ratings em relatório de 15 de janeiro sobre o aumento dos preços de casas globalmente.Em Hong Kong, a perspectiva de aplicação de um imposto sobre vacância ? visando investidores que adquirem apartamentos que ficam vazios ? colaborou para a queda de quase 9 por cento desde o pico alcançado em agosto.

Nos EUA, construtoras de imóveis de alto padrão saíram da recessão com perfil de crédito relativamente forte, segundo Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin. O resultado foi o excesso de apartamentos com preço acima de US$ 1 milhão em vários mercados importantes. Por outro lado, a pouca oferta de residências mais modestas causou alta dos preços desses imóveis. Agora, o mercado imobiliário americano atravessa um período de desaceleração, com compradores recusando preços elevados e preocupados com a alta de juros e com a perspectiva de pagamento diante da volatilidade do mercado acionário.

--Com a colaboração de Jack Sidders, Natalie Wong, Natalie Obiko Pearson, Katrina Nicholas, Shawna Kwan, Emma Dong e Pooja Thakur.

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