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Ricos preferem se hospedar em resorts a ter casa de férias

Sarah Firshein

14/02/2019 15h32

(Bloomberg) -- Quando Adelle e Robert Rathe, que moram no Upper East Side, embarcaram em um voo para a ilha de São Martinho em meados de janeiro, eles deixaram para trás um dia tipicamente frio de Nova York. Quando voltarem para casa após uma temporada em um resort, em meados de abril, as árvores do Central Park já terão começado a florescer.

Adelle e Robert dificilmente seriam os primeiros moradores do nordeste dos EUA a trocar casacos volumosos e calçadas lamacentas por roupas de banho e areia branca. E apesar de já terem considerado comprar um imóvel na ilha caribenha pela qual estão apaixonados há décadas, eles encontraram algo ainda melhor em que esbanjar: cerca de 90 noites consecutivas no Belmond La Samanna, um resort de luxo que reabriu em dezembro após uma reforma que custou US$ 25 milhões.

"Muitos de nossos amigos perguntam quanto pagamos", brinca Adelle. "Eu digo que eles podem descobrir ligando para o hotel." (Ao fazer as contas com base na taxa inicial de US$ 545 por noite, parece que o casal provavelmente receberá uma conta de cinco dígitos - no mínimo -, sem contar alimentos, bebidas nem atividades.)

Essa mudança no estilo de vida das pessoas que trocam o frio do inverno por um clima mais quente - a preferência por esbanjar em resorts em vez de ter uma casa de férias - está se tornando cada vez mais popular entre os aposentados do jet set, de acordo com especialistas do setor.

"Aqueles que optam por resorts de luxo em vez de comprar um imóvel, como um apartamento ou casa, fazem isso não apenas pelo atendimento atencioso e pelos mimos luxuosos, mas também pela flexibilidade de escolha", diz Tara Hyland, consultora de viagem afiliada à Virtuoso que reservou várias estadias para clientes. "Além disso, spas, aulas de ioga, programas de fitness, esportes aquáticos, golfe, tênis e restaurantes tornam os resorts ainda mais atraentes."

Melhor que casa de férias

Preferir um resort em vez de um imóvel significa não estar preso a nenhum destino, mas muitos hóspedes que passam longos períodos nos hotéis retornam ao mesmo lugar todos os anos. Adelle e Robert, por exemplo, passaram quase todos os invernos em La Samanna desde 2001.

Em tais casos, um resort pode começar a parecer uma verdadeira casa de férias - embora com menos manutenção, mais conforto e um único pagamento anual, em vez de 12. "Possuir uma casa é uma responsabilidade. A segurança, o trabalho constante - você vira escravo disso", diz Adelle, que está aposentada, em entrevista no resort enquanto um vórtice polar assolava sua casa em Manhattan. "Aqui, estou a 45 metros do mar e posso conseguir o que quiser em cinco minutos."

Uma proposta de valor?

Como as diárias de resorts custam a partir de US$ 200 - e muitas vezes chegam a mais de US$ 750 -, escapar do inverno em um resort todos os anos pode facilmente custar mais do que dar entrada em uma casa de praia. Ainda assim, não é algo tão imprudente financeiramente quanto parece.

De acordo com o consultor imobiliário Jonathan Miller (ex-colunista da Bloomberg), o mercado imobiliário está ficando mais fraco em muitos destinos sazonais, em grande parte devido ao advento de serviços como Airbnb e Onefinestay. E rentabilizar uma casa de férias através destes serviços não é uma tarefa para qualquer um. Nos casos em que os imóveis ficam inativos durante meses, os proprietários podem acabar tendo grandes prejuízos, especialmente quando se consideram prestações, reformas, seguro em mercados propensos a furacões, tarifas de estacionamento ou taxas de associações de proprietários, impostos e outros custos.

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