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Gestoras de fundos desafiam consenso e veem Selic abaixo de 6,5%

Vinícius Andrade, Felipe Marques e Patricia Lara

15/02/2019 06h00

(Bloomberg) -- As gestoras de fundos multimercados já começam a apostar que um cenário de inflação fraca, recuperação lenta da economia e perspectiva de aprovação da reforma da Previdência deve levar o Banco Central a voltar a cortar a taxa básica de juros.

A Legacy Capital, criada em março por ex-executivos do Santander Brasil, é uma das gestoras que vê a autoridade monetária iniciando um ciclo de cortes em breve. O principal gatilho para um potencial corte de 100 pontos-base é um cenário mais claro para a aprovação da reforma da Previdência, segundo carta mensal a investidores.

A Kapitalo Investimentos, cujo fundo Zeta Master FI Multimercado apresenta uma das melhores performances entre os pares ao longo dos últimos cinco anos no Brasil, também vê espaço para o BC trazer a Selic para abaixo de 5,5 por cento -- metade do nível em que a taxa estava há apenas dois anos.

"Cabe, sim, uma dose extra de estímulo, supondo que o câmbio fique estável", disse Alfredo Binnie, economista da Kapitalo Investimentos. "Se aprovar a reforma, e câmbio se valorizar, a argumentação fica mais contundente."

Apesar de alguns gestores e até mesmo o ex-presidente do BC Carlos Langoni afirmarem que juros menores estão a caminho, a visão ainda está longe de ser consenso. A precificação embutida na curva de juros chegou a eliminar as apostas em corte da Selic em 2019, e economistas seguem vendo o juro estável até o fim do ano, segundo pesquisa Focus. O próximo presidente do BC, Roberto Campos Neto, ainda não deixou claro para onde pode levar a política monetária do país.

A Vinland Capital, fundada por ex-sócios do BTG Pactual e do Goldman Sachs, diz que não há razão para a atual gestão do BC antecipar os próximos movimentos, dado o período de transição.

"A inflação está baixa, o hiato do produto é grande e os níveis de atividade não são preocupantes", disse o gestor de portfólio da Vinland Capital, José Oswaldo Monforte. "Nós achamos que há uma oportunidade para um corte."