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Besouro minúsculo devasta floresta urbana na África do Sul

Pauline Bax

03/04/2019 11h26

(Bloomberg) -- Um besouro preto do tamanho de uma semente de gergelim está matando árvores da África do Sul, e ninguém sabe como pará-lo.

Depois de chegar do Sudeste Asiático há cerca de quatro anos, a chamada broca polífaga se espalhou por uma extensão de 1.600 quilômetros pela África do Sul, da cidade de Pietermaritzburg no leste do país, onde foi descoberto em 2017, até florestas nativas na costa oeste da Cidade do Cabo. Um efeito colateral indesejado da globalização, acredita-se que a praga tenha chegado junto com paletes de madeira em um navio.

A broca polífaga, ou PSHB na sigla em inglês, chamou a atenção dos cientistas pela primeira vez em 2008, depois de infestar pomares de abacateiros em Israel, e foi então encontrada perfurando milhões de árvores no sul da Califórnia. Agora, a África do Sul provavelmente enfrenta a maior invasão em extensão de superfície de todos os tempos.

O inseto deverá reduzir drasticamente o dossel verde de Joanesburgo, uma das maiores florestas artificiais no mundo. Segundo especialistas em árvores, até 30% de todas as árvores correm risco de morrer. A praga também poderia prejudicar a produção sul-africana de abacate, macadâmia, vinho, frutas com caroço e noz-pecã, que representam uma grande fatia dos US$ 11 bilhões em exportações agrícolas do país. Em risco também estão os icônicos carvalhos de Stellenbosch, a capital de facto dos cênicos vinhedos da África do Sul.

Enquanto a maioria dos besouros prefere árvores mortas ou prestes a morrer, a broca polífaga é uma entre menos de 20 espécies de besouros no mundo que atacam agressivamente uma variedade extraordinariamente ampla de árvores saudáveis, disse Wilhelm de Beer, patologista florestal da Universidade de Pretória, que coordena uma rede nacional de estudos sobre o PSHB, com pesquisadores de oito universidades.

"Normalmente, esses insetos florestais buscam uma árvore em particular", disse De Beer. "Agora, temos algo que está em todos os lugares e que dificulta muito o estudo, porque algumas árvores morrem em três anos, algumas em cinco anos e algumas não morrem. Não podemos prever o que vai acontecer."

O besouro infestou pomares de noz-pecã na província do Cabo Setentrional, e o setor de abacate no nordeste do país está monitorando um possível surto. Macadâmias, pêssegos e videiras também podem ser afetados, segundo o Departamento de Agricultura, Silvicultura e Pesca. Embora o governo tenha prometido 5 milhões de randes (US$ 354.000) para pesquisas sobre controle de pragas, a maioria dos fundos até agora vem da agricultura comercial - produtores de pecã, macâdamia e abacates.

O besouro fêmea cava buracos nas árvores e deixa fungos no túnel para sua prole, que contém um patógeno que bloqueia a circulação da planta. Algumas árvores, particularmente as planas, tornam-se hospedeiras de reprodução, ou criadouros, e o fungo é sempre letal para os carvalhos ingleses, bordos chineses e japoneses, e o bordo-negundo. O besouro não pode voar, mas se reproduz rapidamente e não tem inimigos naturais conhecidos na África.