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Califórnia corre risco de apagão e muitos não estão preparados

Mark Chediak e Brian Eckhouse

13/05/2019 10h38

(Bloomberg) -- Um plano da maior geradora de energia da Califórnia de cortar a eletricidade em dias de ventos fortes durante a temporada de incêndios florestais pode deixar milhões de moradores na escuridão. E a grande maioria não está preparada.

O plano da PG&E foi anunciado depois que a concessionária em crise disse que uma linha de transmissão arrebentada pelo vento provavelmente tenha desencadeado o incêndio do ano passado, o que causou mais mortes até hoje no estado. Embora o plano possa acabar com um problema, ao mesmo tempo cria outro, levando californianos a buscarem formas de lidar com o risco de apagões.

Alguns moradores recorrem a outras fontes de energia, aumentando as vendas de sistemas de baterias domésticas comercializados por empresas como Sunrun, Tesla e Vivint Solar. Mas os números desses sistemas em uso são relativamente pequenos quando comparados aos 5,4 milhões de consumidores da PG&E. Enquanto isso, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, disse que vai destinar US$ 75 milhões para ajudar as comunidades a lidarem com a ameaça.

"Estou preocupado", disse Newsom na quinta-feira durante uma apresentação sobre o orçamento em Sacramento. "Estamos todos preocupados por causa dos idosos. Estamos preocupados porque as pessoas podem ficar sem eletricidade não um dia ou dois, mas potencialmente por uma semana."

Seis dos 10 incêndios florestais mais destrutivos da história da Califórnia ocorreram nos últimos 18 meses, matando 123 pessoas e, frequentemente, afetando grandes trechos da rede elétrica do estado.

A temporada de incêndios florestais geralmente começa por volta de junho e vai até dezembro, exacerbada pelos fortes ventos que atravessam o estado e pela seca que transforma a vegetação em produto inflamável.

A PG&E alertou a cidade de Calistoga de que poderia cortar o fornecimento de energia elétrica até 15 vezes nesta temporada de incêndios, disse Chris Canning, prefeito da cidade de Napa Valley, marcada por incêndios florestais há dois anos. Mas, em entrevista, o vice-presidente de operações elétricas da PG&E, Aaron Johnson, disse que o número de cortes vai depender das condições climáticas.

"É um programa muito desafiador e não é uma decisão fácil, considerando os riscos de segurança que existem em ambos os lados", disse Johnson. Também faz parte de um programa mais amplo, com o objetivo de reduzir a probabilidade de incêndios florestais, incluindo a poda de árvores, inspeções e reparos na rede, acrescentou.

A PG&E tem realizado reuniões e planejado testes com autoridades locais e estaduais como parte dos preparativos, disse Johnson.

A empresa pretende avisar a população com pelo menos dois dias de antecedência sobre o corte de energia e iniciou uma campanha de conscientização pública, que inclui cartas aos consumidores. A PG&E também trabalha para identificar os residentes vulneráveis. A concessionária pretende restabelecer os serviços um dia após o desligamento, mesmo que os clientes possam estar fora por até cinco dias, segundo Johnson.

--Com a colaboração de Romy Varghese.

Repórteres da matéria original: Mark Chediak em San Francisco, mchediak@bloomberg.net;Brian Eckhouse em New York, beckhouse@bloomberg.net