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Agronegócio

Analistas questionam dados sobre exportações de suínos dos EUA

Michael Hirtzer

20/05/2019 14h52

(Bloomberg) -- Exportadores de carne de porco dos Estados Unidos ganham forte impulso com a propagação da gripe suína africana, que dizima plantéis de suínos na China. Mas o tamanho desse impulso ainda é um mistério.

Duas diferentes agências dos EUA fornecem dados sobre as exportações de carne suína com diferentes métodos e períodos, e os dados podem oferecer resultados muito díspares, dizem analistas. Ao mesmo tempo, uma maior demanda de importadores chineses por carcaças inteiras ou meia carcaça, em vez de cortes individuais que são tradicionalmente monitorados, pode estar distorcendo dos dados.

"Houve confusão no setor sobre se os dados incluem carcaças inteiras ou não", disse Rich Nelson, diretor de estratégia da corretora Allendale, de Illinois, em entrevista por telefone. "Estamos vendo um conjunto de dados um pouco incompletos a cada semana, e há um atraso na obtenção do quadro completo."

O Departamento de Agricultura dos EUA divulga semanalmente as exportações de carne suína, enquanto os dados do Departamento de Comércio são mensais. Uma comparação recente dos dados mostrou uma lacuna significativa, disse Brett Stuart, sócio-fundador da Global AgriTrends, uma empresa de análises de Denver.

Apenas 58% da carne de porco registrada mensalmente era refletida nos dados semanais, disse. E, quando os dados da China são analisados separadamente, apenas 27% das exportações foram coletadas semanalmente.

"Um dos problemas é a fiscalização", disse Stuart em entrevista por telefone. "O USDA realmente não reforçou os requisitos."

Desde janeiro, a China comprou 163.825 toneladas de carne suína dos EUA, segundo dados semanais do USDA. Em declaração por e-mail, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA disse que "está analisando as exigências de relatórios de exportação de carne suína e fornecerá esclarecimentos o mais rápido possível".

O mais recente debate é saber se a China está registrando pedidos de carcaça de carne suína dos EUA que não são adequadamente refletidos em nenhum dos relatórios. "Há uma preocupação de que as reservas e remessas reais não estão sendo informadas", disse Stuart. "Com isso não sendo notícia, os preços poderiam estar artificialmente mais baixos."

De fato, a maior compra de todos os tempos de carne suína dos EUA pela China provocou um aumento de preços no mês passado, enquanto o cancelamento de uma venda menor esta semana causou queda das cotações.

(Com a colaboração de Lydia Mulvany)

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