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Apple e Nike se preparam para possível retaliação da China

Bruce Einhorn

28/05/2019 09h10

(Bloomberg) -- Empresas dos Estados Unidos que contam com a China para obter grande parte de seu crescimento enfrentam o desafio de cumprir metas em meio à escalada da guerra comercial entre Pequim e Washington.

A decisão do presidente Donald Trump de incluir a fabricante chinesa de smartphones Huawei Technologies em uma lista negra, ao mesmo tempo que também ameaça banir outras empresas chinesas de tecnologia, poderia abrir a porta para uma retaliação contra marcas dos EUA em diversos setores como hotelaria, roupas esportivas e até mesmo contra o Capitão América. A agência de notícias estatal chinesa disse na semana passada que a China está "bem armada para dar o troco", sem fornecer detalhes específicos.

Enquanto as empresas aguardam o próximo passo do governo chinês, há incerteza sobre como seria a retaliação. Os empresários podem "simplesmente ter que ler as folhas de chá sobre como suas operações comerciais estão sendo tratadas", disse Erin Ennis, vice-presidente sênior do Conselho Empresarial EUA-China, em entrevista à Bloomberg Television no sábado.

A China poderia usar seu modelo aprimorado em 2017, quando as relações com a Coreia do Sul se deterioraram com a decisão de Seul de implantar um escudo antimíssil. O governo limitou as viagens à Coreia do Sul, prejudicando empresas de cosméticos que dependem dos turistas chineses, e autoridades locais fecharam a maioria das lojas da Lotte Shopping na China, alegando violações de segurança contra incêndios. Os consumidores boicotaram produtos sul-coreanos, causando um devastador impacto sobre as vendas da Hyundai Motor.

Há muita coisa em jogo, já que o mercado consumidor em rápida expansão na China é prioridade para gigantes dos Estados Unidos que buscam crescimento diante da desaceleração da economia global.

O alvo mais óbvio de uma retaliação chinesa seria a Apple, rival da Huawei no mercado de smartphones, que obtém cerca de 20% de sua receita da China e fabrica seus iPhones no país. A empresa, com sede em Cupertino, na Califórnia, já enfrenta desafios na região, com queda na receita diante da preferência dos consumidores por celulares da Huawei e de outras marcas locais.

Uma retaliação em consequência das restrições de Trump contra a Huawei poderia reduzir as vendas de iPhones na China de 3% a 5% nos próximos 12 a 18 meses, segundo Dan Ives, analista da Wedbush Securities.

A China também é um mercado cada vez mais importante para a Nike, que patrocina a Maratona de Xangai e a principal liga de futebol chinesa. No trimestre encerrado em fevereiro, a receita na região da Grande China subiu 24%, o 19º trimestre consecutivo de ganhos de dois dígitos.

"Vivemos grande 'momentum' na China", disse o diretor financeiro da Nike, Andrew Campion, em teleconferência com analistas. "Mesmo em meio à atual dinâmica geopolítica, a Nike continua a oferecer um crescimento forte e sustentável na China."

Mas a posição da Nike na China está longe de estar segura, já que os consumidores podem facilmente trocar a marca por rivais locais como a Anta Sports Products, que no ano passado fechou um acordo de US$ 5,2 bilhões para comprar a empresa finlandesa Amer Sports. Em 2022, a Anta deve ultrapassar a Nike como a segunda maior empresa de roupas esportivas da China em vendas, depois da Adidas, segundo a Bloomberg Intelligence.

--Com a colaboração de Daniela Wei.