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Citi corta recomendação da Cielo em meio à guerra de preços

Vinícius Andrade

31/05/2019 13h55

(Bloomberg) -- O Citi abandonou sua visão construtiva sobre a Cielo, num momento em que a maior empresa de pagamentos do Brasil está disposta a sacrificar lucros no curto prazo para recuperar participação de mercado.

A Cielo teve a recomendação cortada de compra para neutra e o preço-alvo reduzido para R$ 7,00 pelo Citi. "Concluímos que nossa tese de compra de alto risco para a Cielo não vai mais se concretizar", analistas liderados por Felipe Gaspar Salomao escreveram em nota.

De acordo com o Citi, a Cielo não terá outra opção senão replicar a política de preços da Rede e deve ver um impacto negativo sobre taxas de pré-pagamento e capital de giro. Neste mês, a Rede, do Itaú, adotou a eliminação da taxa cobrada para antecipar os valores recebidos em algumas transações com cartão de crédito.

Os novos participantes do setor vêm ganhando fatia de mercado com preços menores ao longo dos últimos meses, levando as empresas a reagir. Nesta semana, as ações da Cielo registraram forte queda na B3 depois que a empresa decidiu retirar seu guidance de lucro líquido para 2019, sem estabelecer novas estimativas. O Citi espera que o lucro por ação da Cielo caia 44% em 2019 e 7% em 2020.

Com as ações da empresa acumulando queda de 24% desde o começo do ano, um número crescente de investidores vem questionando se os papéis não estão subvalorizados, segundo o Citi. Mas o banco não vê uma recuperação a curto prazo.

"Não esperamos nenhuma recuperação no preço das ações da Cielo até que os participantes do mercado obtenham melhores evidências de que a lucratividade da empresa atingiu seu nível mais baixo e que o crescimento do lucro líquido será retomado", disseram analistas. Para o Citi, isso só acontecerá em 2021.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net