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Depois de azar típico de maio, emergentes esperam junho difícil

Aline Oyamada

31/05/2019 09h58

(Bloomberg) -- Maio, lembrado como um mês de azar para os mercados emergentes, fez jus à sua reputação com uma vingança este ano. Prova disso é que o clima de aversão ao risco dificilmente será revertido simplesmente virando a página do calendário.

As ações de mercados emergentes acumulam desvalorização de 7,7% este mês, a caminho de registrar o pior maio desde 2012. Já o índice MSCI de moedas mostra queda de 1,5%, estendendo as perdas pelo quarto mês seguido. O desempenho segue a tendência observada na última década: os ativos de países em desenvolvimento tiveram desvalorização em todos os meses de maio no período, com apenas duas exceções, 2017 e 2014.

Com as manchetes sobre a disputa comercial entre Estados Unidos e China ainda abalando os mercados --entre as últimas, a ameaça da China de suspender as exportações de terras raras para os EUA--, o próximo catalisador pode vir apenas na cúpula do Grupo dos 20 no fim de junho, segundo análise de bancos como Morgan Stanley, Goldman Sachs e Crédit Agricole.

Com o mês chegando ao fim, a escalada comercial chegou ao México com a promessa de Donald Trump de impor uma tarifa de 5% sobre produtos mexicanos até que o país impeça imigrantes de entrarem ilegalmente nos EUA, derretendo o peso mexicano.

"O otimismo em relação a uma recuperação de crescimento global liderada pela China nos primeiros meses do ano acabou sendo uma largada queimada", disseram estrategistas do Morgan Stanley liderados por James Lord, em relatório esta semana. "O 'momentum' de curto prazo aponta para uma escalada mais forte nas questões comerciais."

Para os ativos de risco, isso significa que uma recuperação só deve ocorrer se e quando um acordo comercial for alcançado, ou se o Federal Reserve flexibilizar a política monetária em resposta às perspectivas de crescimento mais fracas, segundo a Merian Global Investors.

"Continuamos cautelosos em relação às moedas de mercados emergentes, já que as perspectivas de crescimento permanecem bastante negativas, com pouca expectativa de uma resolução da guerra comercial no curto prazo", disse Delphine Arrighi, gerente de portfólio em Londres da Merian, que tinha US$ 37 bilhões sob gestão em dezembro de 2018.

Arrighi aumentou sua posição vendida em moedas de mercados emergentes no início do mês e manteve posições compradas apenas em títulos de dívida da Rússia, México e Brasil, devido a motivos específicos para esses países.

Exceções

O mercado acionário brasileiro também está entre as exceções, registrando o primeiro ganho no mês de maio desde 2009. Os investidores domésticos estão mais otimistas em relação à aprovação da reforma da Previdência. Os estrangeiros, no entanto, continuam vendendo ações do país.

A onda vendedora contribuiu para valuations mais baratos, mas o movimento não parece ser suficiente para trazer gestores de fundos de volta aos mercados emergentes. Mesmo os que acreditam que um acordo comercial possa ser alcançado no longo prazo não estão dispostos a assumir riscos agora.

"Embora em nossa opinião um acordo comercial (possivelmente no G-20 no fim de junho) seja mais provável do que o contrário, nossa convicção sobre isso está diminuindo", segundo relatório de Sara Grut, analista do Goldman Sachs em Londres, publicado esta semana. "Assim, continuamos a preferir créditos de melhor qualidade dentro de mercados emergentes high yield."

(Com a colaboração de Yumi Teso, Tomoko Yamazaki, Constantine Courcoulas e Alex Nicholson)

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