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Estudo frustra plano da Odebrecht de reaver capital na Colômbia

Jose Enrique Arrioja e Ezra Fieser

05/06/2019 12h14

(Bloomberg) -- Uma tentativa da Odebrecht e do Grupo Aval de recuperar centenas de milhões de dólares gastos na construção de uma rodovia envolvida em um escândalo de corrupção sofreu um revés. Um novo estudo sugere que as empresas devem dinheiro à Colômbia, e não o contrário.

Um estudo de 336 páginas encomendado pelo Centro de Arbitragem e Conciliação da Colômbia, que supervisiona o caso, descobriu que a Agência Nacional de Infraestrutura colombiana tem um saldo a seu favor de cerca de US$ 1,8 bilhão, quando os custos para o país para a conclusão da rodovia são levados em consideração.

Isso significa que o saldo da Odebrecht e de seus sócios seria igualmente negativo, embora três avaliações técnicas anteriores apresentadas ao tribunal tenham recomendado valores de liquidação entre US$ 700 milhões a US$ 1,3 bilhão a favor das empresas. A Odebrecht e o Aval, maior grupo financeiro da Colômbia, há anos tentam recuperar seus investimentos na construção da rodovia.

O novo relatório, elaborado pela uma unidade espanhola da Duff & Phelps, uma consultoria global de avaliação e finanças corporativas, cita um custo significativo para a Agência Nacional de Infraestrutura da Colômbia, conhecida como ANI, causada pela suspensão do projeto. O painel de arbitragem pode seguir as recomendações da Duff & Phelps totalmente, parcialmente ou desconsiderá-las em sua decisão final, agendada para 20 de agosto.

Em resposta por escrito a perguntas, o Grupo Aval contestou a estimativa do novo estudo, dizendo que o documento havia sido escrito às pressas e continha erros, e que estava confiante de que a decisão final seria a favor do consórcio.

A Duff & Phelps não retornou imediatamente um pedido de comentários feito fora do horário comercial.

Huberto Meza, advogado da Odebrecht Colômbia, não respondeu a um e-mail pedindo comentários.

Jorge Enrique Ibañez, que lidera o painel de três advogados no Centro de Arbitragem e Conciliação em Bogotá, disse por e-mail que uma nova audiência será marcada para avaliar as conclusões do relatório.

As obras da Ruta del Sol II, trecho de uma rodovia de 1.000 km que liga a região de Bogotá à costa caribenha, foram interrompidas em 2017 depois que a Odebrecht admitiu pagamento de propina para conseguir o contrato. O Grupo Aval, controlado pelo bilionário Luis Carlos Sarmiento, negou que tivesse conhecimento das ações ilegais da construtora.

O Grupo Solarte, construtora de controle familiar, também tinha uma participação minoritária na joint venture.

Andrés Florez Villegas, advogado que representa os sete bancos que financiaram o projeto da rodovia, não quis dar entrevista. Henry Sanabria Santos, advogado que representa a ANI, não estava disponível para comentários quando seu escritório foi contatado por telefone em Bogotá. Ángel Castañeda, advogado do consórcio Ruta del Sol II, não quis comentar.

O estudo também revelou que controles internos e gerenciamento de risco do consórcio Ruta del Sol II apontavam falhas que podem ter levado às práticas irregulares.

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